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Técnica

Motor EA888: gerações, carros no Brasil e problemas conhecidos

Criado pela Audi para substituir o EA113, o quatro-cilindros turbo de corrente virou o "350 TSI" do Golf GTI, do Jetta GLI e do Tiguan R-Line. O que cada geração trouxe e o que os documentos oficiais registram sobre óleo, corrente e arrefecimento.

Por Redação VAGHAUS

Publicado em

Cofre de um Volkswagen branco com o motor 2.0 TSI montado na transversal: quatro bobinas de ignição em linha sobre a tampa de válvulas, coletor de admissão plástico preto na frente, vareta de óleo amarela à esquerda e caixa do filtro de ar à direita
Um EA888 de terceira geração, de 180 kW (245 PS), segundo a descrição do autor da foto, que não identifica o carro. Imagem: Manuel Peer, via Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0), redimensionada

EA888 é o código interno da família de motores de quatro cilindros em linha, turbo e com injeção direta de gasolina que o Grupo Volkswagen usa desde 2007. Foi desenvolvida pela Audi, em Ingolstadt, existe em 1,8 e 2,0 litros e move os comandos de válvulas por corrente. Para o motorista brasileiro, ela tem outro nome: é o 2.0 TSI, que a Volkswagen do Brasil chamou de "350 TSI" no Golf GTI, no Jetta GLI e no Tiguan Allspace R-Line, e que também equipou o Passat importado.

A família já passou por seis estágios: primeira geração (2007), segunda, terceira (2011), a variante de ciclo B da terceira (2015), o evo4 (2020) e o evo5, anunciado em 2025 para o T-Roc. O que muda entre eles não está no emblema do carro. Para saber qual EA888 está num carro, é preciso cruzar o ano-modelo com o código do motor.

Os defeitos que aparecem em documentos oficiais sobre o EA888 (consumo de óleo, corrente de comando e vazamentos no arrefecimento) são quase todos registros dos Estados Unidos: boletins técnicos, recalls e acordos judiciais, reunidos no fim do texto. Antes deles vêm as gerações e os modelos que a VW do Brasil diz equipar com o motor.

Do EA113 ao EA888, em 2007

A Audi já tinha um quatro-cilindros turbo de injeção direta antes do EA888. Segundo os engenheiros da marca, em artigo de 2006 na revista técnica MTZ, o 2.0 T-FSI lançado em 2004 foi o primeiro motor a gasolina da Audi a juntar injeção direta e turbocompressor. A Volkswagen usou um 2.0 turbo de injeção direta no Golf V GTI, de 147 kW (200 PS), vendido a partir do outono europeu de 2004. (PS é a sigla alemã do cavalo-vapor métrico.)

O EA888 não foi uma revisão desse motor. O mesmo artigo descreve o novo 1.8 T-FSI como uma base completamente nova. Num segundo texto, de maio de 2007, a equipe da Audi informa que o 1.8 chegou ao mercado no começo daquele ano, que um 2.0 estava previsto para junho e que a nova série substituiria aos poucos, em todo o grupo, a família anterior, o EA113. O bloco foi desenvolvido com a fundição Eisenwerk Brühl.

O prefixo EA é a numeração que o grupo dá às suas famílias de motor. O motor AP, por exemplo, era a versão brasileira do EA827, outro projeto da Audi. O EA888 é de outra linhagem e de outra época, mas também nasceu em Ingolstadt, na Audi, a herdeira da Auto Union.

Numa linha do tempo publicada em material de treinamento da Audi of America em 2016, as características listadas para a primeira geração são estas: versões 1.8 e 2.0, sistema de combustível regulado conforme a demanda, comando de válvulas movido por corrente e variador de fase só na admissão.

Seis estágios, do 1.8 TFSI ao evo5

A numeração das gerações não é uniforme. A Audi chama de "Gen 3" e de "B-cycle" o que a Volkswagen trata simplesmente como terceira geração, e a VW passou a chamar a quarta de "evo4". Um boletim técnico da Audi of America de 2019 usa ainda a designação "EA888 Evo2" para motores de 2013 a 2019, ao lado de "Gen3". A tabela usa a nomenclatura mais comum e indica, em cada linha, o que os documentos oficiais registram.

Estágio Estreia O que mudou, segundo as fontes Exemplo citado pela fabricante
Geração 1 Início de 2007 (1.8); 2.0 previsto para junho de 2007 Base nova em relação ao EA113, corrente de comando, variador de fase na admissão Audi 1.8 TFSI
Geração 2 2008 (2.0 TFSI com Audi valvelift system) Sistema AVS de levantamento variável das válvulas no escape; bomba de óleo de vazão regulada. No 2.0 TSI do Golf VI GTI, a VW cita ainda pistões e anéis modificados, nova bomba de vácuo, nova bomba de alta pressão e novo medidor de massa de ar Golf VI GTI, 155 kW (210 PS), 2009
Geração 3 2011 (1.8 TFSI) Coletor de escape integrado ao cabeçote e refrigerado a água; injeção dupla (direta e no coletor); gestão térmica eletrônica; wastegate elétrico; bloco e virabrequim mais leves Golf VII GTI, 162 kW (220 PS), 2013
Geração 3, ciclo B Maio de 2015 (Simpósio de Viena) Fechamento antecipado da válvula de admissão (variante do ciclo Miller), AVS na admissão, compressão de 11,65:1, injeção a 250 bar Audi 2.0 TFSI de 140 kW (190 PS)
evo4 2020 (Golf VIII GTI) Pressão de injeção de 200 para 350 bar, novos injetores, menos atrito interno, filtro de partículas Golf VIII GTI, 180 kW (245 PS)
evo5 Anunciado em novembro de 2025, com estreia prevista pela VW para 2026 no T-Roc Injeção a 500 bar, turbo de geometria variável, combustão TSI-evo com mistura estequiométrica em todo o mapa, preparado para a norma Euro 7 T-Roc 2.0 eTSI, 150 kW (204 PS)

Fontes: geração 1, MTZ (2006 e 2007) e Audi of America (2016); geração 2, Audi of America (2016), ATZextra (2008) e Volkswagen Newsroom (Golf VI GTI); geração 3, Audi of America (2013) e Volkswagen Newsroom (2013), com o ano de 2011 tirado da página do 1.8 TFSI no Audi Technology Portal, datada de 2011, que descreve as novidades da terceira geração sem usar esse nome; ciclo B, Audi of America (2016) e Audi MediaCenter (2015); evo4, Volkswagen Newsroom (2020) e Brenneisen et al. (2021); evo5, Volkswagen Newsroom (2025).

A data de estreia da segunda geração é a menos precisa da tabela. A Audi a associa ao 2.0 TFSI com Audi valvelift system, descrito pelos seus engenheiros em junho de 2008. A Volkswagen, por sua vez, só registra a segunda geração no Golf VI GTI, de 2009, como um motor do "segundo ciclo de desenvolvimento" do EA888 (tradução livre da VAGHAUS).

Terceira geração: o motor redesenhado para o MQB

A terceira geração é a mais bem documentada e uma das duas que a VW do Brasil cita pelo nome, no Passat de 2018. Segundo o manual de treinamento que a Audi of America publicou em 2013, ela foi "completamente revisada" (tradução livre da VAGHAUS) por dois motivos: normas de emissões mais rígidas e a necessidade de servir às plataformas modulares MQB, de motor transversal, e MLB, de motor longitudinal, o que obrigou a rever dimensões e pontos de fixação. Era fabricada em Győr, na Hungria, em Silao, no México, e em Xangai e Dalian, na China.

Motor 2.0 TSI exposto num estande, visto pelo lado do turbocompressor, com o bloco escuro, o cabeçote prateado e a tampa da corrente de comando à direita; visitantes ao fundo
O 2.0 TSI de 221 kW (300 PS) do Golf R de sétima geração, um EA888 de terceira geração, no Salão de Tóquio de 2013. Imagem: TTTNIS, via Wikimedia Commons (Domínio público), redimensionada

As mudanças mais citadas estão no cabeçote. O coletor de escape passou a ser fundido dentro dele e é envolvido pelo líquido de arrefecimento. Como o gás chega mais frio à turbina, a central não precisa mais enriquecer a mistura em alta carga só para proteger o turbo, e o consumo cai quando se acelera forte. O calor do escape também aquece o motor e a cabine mais depressa depois da partida fria. Os dutos dos cilindros 1 e 4 e dos cilindros 2 e 3 só se juntam na entrada do turbo.

A injeção ficou dupla. Aos bicos de injeção direta (FSI) somaram-se bicos no coletor de admissão, usados em carga parcial para reduzir consumo e emissão de partículas. A Audi avisa, porém, que os motores da primeira leva norte-americana tinham só a injeção direta.

O resto do motor emagreceu. As paredes do bloco, que continuou de ferro fundido, passaram de cerca de 3,5 mm para 3,0 mm de espessura. No 1.8, o virabrequim ganhou mancais de 48 mm, em vez de 52 mm, e passou de oito para quatro contrapesos, com 1,6 kg a menos. Os eixos de balanceamento passaram a girar em parte sobre rolamentos de agulhas. O 1.8 completo caiu de 135 para 131,5 kg. A gestão térmica ganhou uma válvula rotativa comandada eletronicamente, que segura o líquido de arrefecimento no motor frio e mantém a água entre 85 e 107 °C conforme a carga.

A corrente de comando continuou, com mudanças. O manual diz que o acionamento veio da segunda geração com novos parâmetros de projeto, que os tensionadores foram adaptados a uma pressão de óleo menor e que a força de tensão das correntes foi reduzida para diminuir o atrito. Diz também que a terceira geração exige novos procedimentos de montagem da corrente, ferramentas especiais e uma adaptação feita com o equipamento de diagnóstico depois de qualquer serviço nela.

No Golf VII GTI, apresentado em abril de 2013, esse motor rendia 162 kW (220 PS), ou 169 kW (230 PS) na versão Performance, sempre com 350 Nm. Segundo a Volkswagen, foi o primeiro Golf GTI dentro dos limites da norma Euro 6.

Ciclo B e evo: a admissão que fecha mais cedo

Em maio de 2015, no Simpósio Internacional de Motores de Viena, a Audi apresentou um 2.0 TFSI de 140 kW (190 PS) baseado na terceira geração. O manual da Audi of America de 2016 chama o processo de combustão de "B-cycle", um refinamento próprio do ciclo Miller, patenteado em 1947. A ideia é encurtar a fase de compressão. Para isso, o motor ganhou também na admissão o AVS, o sistema de levantamento variável, com dois perfis de came para cada válvula. Em carga parcial, o perfil usado fecha a admissão mais cedo e abre menos a válvula; em plena carga, o outro perfil a mantém aberta por mais tempo. A taxa de compressão geométrica subiu para 11,65:1, contra 9,6:1 do 2.0 TFSI convencional vendido na mesma época. Esse 2.0 substituiu o 1.8 na linha da Audi, e o manual registra que, na América do Norte, ele estreou no A4 2017.

A Volkswagen usou a mesma receita sem mudar o nome da geração. No Polo GTI apresentado em 2017, de 147 kW (200 PS), a marca descreve um EA888 "da terceira geração" com compressão de 11,65:1, AVS na admissão, injeção dupla, anéis de óleo de três peças e ciclo Miller.

O evo4 chegou ao Golf VIII GTI, apresentado em 2020, com 180 kW (245 PS) entre 5.000 e 6.500 rpm e 370 Nm entre 1.600 e 4.300 rpm. A Volkswagen lista novos injetores, pressão de injeção de 350 bar em vez de 200 bar, menos atrito interno, filtro de partículas e catalisador maior. Num artigo de 2021, engenheiros da Audi descrevem o evo4 como um "global engine" que cobre de 110 a 245 kW. Em julho de 2024, a VW chamou o evo4 de "quarta geração" ao apresentar o Golf GTI reestilizado, com 195 kW (265 PS), e o GTI Clubsport, com 221 kW (300 PS).

O evo5 foi descrito em novembro de 2025, na apresentação do novo T-Roc à imprensa, com estreia prevista para 2026. A Volkswagen o descreve como o estágio mais recente da série EA888: injeção a 500 bar, turbo de geometria variável e o processo de combustão TSI-evo, que também fecha a admissão mais cedo e mantém a mistura estequiométrica (lambda 1) em toda a faixa de uso. Com sistema híbrido leve de 48 V, ele vira o 2.0 eTSI, de 150 kW (204 PS) e 320 Nm. Segundo a marca, o motor foi projetado para a futura norma europeia Euro 7.

1.8 e 2.0: mesmo diâmetro, curso diferente

Na terceira geração, as duas cilindradas têm o mesmo diâmetro de cilindro, de 82,5 mm. O que muda é o curso: 84,1 mm no 1.8 e 92,8 mm no 2.0, que tem 1.984 cm³ segundo a Volkswagen (o manual da Audi of America arredonda para 1.983 cm³). Pela conta, o 1.8 fica com 1.798 cm³. Nas fichas do manual de 2013, o 1.8 e o 2.0 de 162 kW tinham taxa de compressão de 9,6:1; o 2.0 de 206 kW, de 9,3:1.

O 1.8 perdeu espaço com o tempo. O manual da Audi of America de 2016 registra que o 2.0 de ciclo B o substituiu, e os EA888 vendidos pela Volkswagen do Brasil nos comunicados que encontramos são todos 2.0.

"250 TSI" não é EA888: a confusão com o EA211

A sigla TSI não identifica a família do motor. Segundo a VW do Brasil, ela indica a combinação de injeção direta com turbocompressor, e aparece tanto no 2.0 EA888 quanto nos motores menores da família EA211. No Brasil, a confusão aumenta por causa dos nomes comerciais. A própria VW do Brasil explicou em 2018 que o número antes de TSI é o torque em newton-metros: 250 TSI é o 1.4 de 250 Nm, e 350 TSI é o 2.0 de 350 Nm.

O EA211 é a família feita em São Carlos (SP), onde começou a ser produzida em 2013. Em 2018, a Volkswagen do Brasil listava ali o 1.0 MPI, o 1.0 TSI, o 1.4 TSI e o 1.6 MSI. Em outubro de 2026, ao comemorar os 30 anos da fábrica, a marca informou que os motores EA211 equipam todos os Volkswagen fabricados no país (Polo, Virtus, T-Cross, Nivus, Tera e Saveiro, entre outros) e também o Taos importado. O Taos foi feito na Argentina a partir de 2021. Na linha 2026, passou a vir de Puebla, no México, com o 250 TSI de 150 cv, e a VW do Brasil o inclui entre os modelos importados que usam motores EA211. Ou seja: o Taos vendido hoje no Brasil, mesmo sendo um SUV médio, não tem EA888.

As duas famílias têm origens e soluções diferentes. Segundo a Audi, o EA211 deriva do EA111, outra família de quatro cilindros do grupo. A Volkswagen do Brasil destaca que o EA211 tem bloco e cabeçote de alumínio, e no 1.4 TFSI descrito pela Audi o comando de válvulas é movido por correia dentada. O EA888 tem bloco de ferro fundido e corrente. Problemas e cuidados de um não valem para o outro.

EA888 EA211
Cilindradas 1.8 e 2.0 no Brasil, 1.0 MPI, 1.0 TSI, 1.4 TSI e 1.6 MSI
Comando de válvulas corrente correia dentada (no 1.4 TFSI descrito pela Audi)
Bloco ferro fundido alumínio
Nome comercial no Brasil 350 TSI (2.0) 250 TSI (1.4)
Produção em São Carlos (SP) não consta desde 2013

Fontes: Audi of America (manuais 920243 e 920253) e Volkswagen do Brasil (comunicados de 2018, 2021 e 2026).

Os EA888 que a VW do Brasil vendeu

A tabela reúne os modelos em que a Volkswagen do Brasil, em comunicados próprios, descreve um 2.0 TSI. Só dois trazem a geração do motor no texto da marca brasileira: o Passat de 2018 e o Golf GTI de 2025.

Modelo Comunicado O que a VW do Brasil informa Geração
Passat mar./2018 2.0 TSI de 1.984 cm³, 220 cv, 350 Nm, câmbio DSG de 6 marchas Terceira, segundo a VW do Brasil
Tiguan Allspace R-Line 350 TSI abr./2018 2.0 TSI de 220 cv e 350 Nm, "mesmo motor do Golf GTI", DSG de 7 marchas; SUV fabricado em Puebla (México) Não informada
Golf GTI (sétima geração, linha 2018) jun./2018 350 TSI de 230 cv (antes 220 cv) e 350 Nm; Golf produzido em São José dos Pinhais (PR) Terceira, segundo a matriz para o Golf VII GTI
Jetta GLI jun./2019 350 TSI de 230 cv, mesmo conjunto mecânico do Golf GTI; importado do México Não informada
Tiguan Allspace R-Line nov./2023 "Motor EA888" 2.0 de 186 cv e 30 kgfm, câmbio automático de 8 marchas Não informada
Golf GTI (oitava geração reestilizada) set./2025 EA888 de 245 cv e 37,7 kgfm, 0 a 100 km/h em 6,1 s; feito em Wolfsburg (Alemanha) sob encomenda evo4, segundo a VW do Brasil
Jetta GLI (linha 2026) out./2025 EA888 2.0 de 231 cv e 35,7 kgfm, "já adaptado ao Proconve L8", DSG de 7 marchas Não informada

Fonte: comunicados da Volkswagen do Brasil (VW News) listados ao fim do texto. A VW do Brasil informa potência em cv sem citar a norma.

Alguns números chamam a atenção. O Golf GTI brasileiro passou de 220 para 230 cv em 2018 só por recalibração, segundo a marca, com o mesmo torque. O Tiguan Allspace de 2023 voltou com um EA888 menos potente que o de 2018, de 186 cv, e com outro câmbio. E o Golf GTI evo4 vendido aqui desde 2025 tem 245 cv, enquanto a Volkswagen anunciou o mesmo carro na Europa com 195 kW (265 PS); a VW do Brasil não explica a diferença no comunicado. No Jetta GLI da mesma época, a marca diz apenas que o motor já está adaptado à fase L8 do Proconve, o programa brasileiro de controle de emissões.

Consumo de óleo: boletim, acordo e ações em curso

O caso mais bem documentado é o das primeiras gerações nos Estados Unidos. Em novembro de 2011, a Audi of America publicou um boletim técnico, o 2027731, revisado até 2015 e intitulado "consumo de óleo do motor alto demais, 2.0L TFSI (EA888)", para A4 2009 a 2011, A5 e A5 Cabriolet 2010 e 2011 e Q5 2011. O boletim atribui o problema a condições de pressão dentro do motor, que afetam o consumo sobretudo no trânsito anda e para, com muito tempo em marcha lenta. Registra como solução de fábrica a redução da pressão no cárter a partir do ano-modelo 2012.

O reparo previsto no boletim troca a válvula reguladora de pressão do cárter (na revisão de novembro de 2015, só se ela não for a peça 06H103495J ou mais nova), o retentor dianteiro do virabrequim e o software da central do motor. O boletim também prevê um teste eletrônico de consumo, que, segundo o próprio documento, só funciona no motor de código CAEB.

Esse mesmo grupo de carros foi objeto de uma ação coletiva na Califórnia, Asghari v. Volkswagen Group of America, encerrada por acordo aprovado em maio de 2015. Segundo o resumo publicado pelo site Top Class Actions, o acordo cobria os A4 2009 a 2011, os A5 2010 e 2011 e o Q5 2011, todos com o motor de código CAEB, reembolsava o reparo já pago e estendia a garantia para consumo excessivo de óleo de 4 anos ou 50 mil milhas para 8 anos ou 80 mil milhas. A revisão de janeiro de 2015 do boletim 2027731 confirma a nova regra, com cobertura para carros dentro de 8 anos ou 80 mil milhas ou até 18 meses após o acordo. A Audi e a Volkswagen negaram as acusações.

A ventilação do cárter foi uma das partes refeitas na terceira geração. O manual de 2013 descreve um separador de óleo grosso integrado ao bloco e um módulo separador fino, do tipo ciclone, aparafusado à tampa de válvulas.

Há ações mais recentes, ainda sem decisão de mérito que tenhamos encontrado. Em janeiro de 2025, uma dona de Tiguan entrou com ação coletiva em Nova Jersey em nome de compradores dos Tiguan 2022 e 2023 com motor EA888, alegando que anéis de pistão defeituosos deixam o óleo passar para a câmara de combustão. Segundo o CarComplaints, esse processo foi reunido a outros dois, e a Volkswagen pediu que fosse extinto, argumentando que nenhum autor demonstrou consumo acima do previsto no manual do proprietário. Em janeiro de 2026, segundo o Law360, o juiz federal de Nova Jersey rejeitou a maior parte do pedido da Volkswagen para encerrar o caso logo no início; a decisão permite que o processo continue e não julga se o defeito existe. Em março de 2026, o mesmo site noticiou uma ação mais ampla, que cita Tiguan, Atlas, Passat e Jetta GLI a partir de 2018 e Audi Q3, Q5 e Q7. São alegações dos autores, não fatos reconhecidos pela fabricante.

Nesses processos aparece a régua que a própria Volkswagen usa nos Estados Unidos. Segundo o CarComplaints, o boletim 17-18-06, também citado na petição de 2025, fixa o padrão de consumo da marca em até 0,5 litro a cada 1.000 km e manda a concessionária fazer um teste quando o dono relata consumo maior.

Corrente de comando: os acordos nos EUA

A corrente e o seu tensionador são o outro ponto conhecido das primeiras gerações. Nos Estados Unidos, o caso In re Volkswagen Timing Chain Product Liability Litigation, em Nova Jersey, terminou em acordo fechado em abril de 2018, que se tornou definitivo em março de 2019. Os autores alegavam defeito no sistema de corrente; o acordo encerrou o caso sem julgamento sobre a existência do defeito. Segundo um dos escritórios que representaram os autores, a lista de carros, todos com motor EA888, incluía Audi A3 2008 a 2012, A4 2009 a 2012, A5 2010 a 2013, A6 2012, Q5 2011 e 2012 e TT 2009 a 2012, e VW Beetle 2012 a 2014, CC e Eos 2009 a 2012, GTI 2008 a 2012 e Jetta 2008 a 2010 e 2012 a 2014.

Os comunicados que a Volkswagen of America mandou às concessionárias, arquivados na NHTSA, confirmam o principal benefício: garantia estendida para corrente ou tensionador que falhasse em até 10 anos ou 100 mil milhas desde a entrega, com dano ao motor coberto em percentuais decrescentes conforme idade e quilometragem. A cobertura exigia provar que as trocas de óleo tinham sido feitas no prazo. Como no acordo do óleo, os beneficiados são compradores nos Estados Unidos.

Houve um segundo processo sobre o mesmo componente. No caso Opheim, também em Nova Jersey, os autores alegaram que o defeito continuava em Audi A4, A5 e Q5 de 2012 a 2015 com o 2.0 de segunda geração. Segundo o mesmo escritório, as partes fecharam acordo em outubro de 2023, aprovado em agosto de 2024, com a mesma extensão de garantia de 10 anos ou 100 mil milhas para corrente e tensionador.

Na terceira geração, como já descrito, a Audi refez tensionadores e procedimentos de montagem. Não encontramos documento oficial que diga se as mudanças tiveram relação com as falhas das gerações anteriores.

Bomba d'água, termostato e a bomba auxiliar

Dois documentos oficiais tratam do arrefecimento. O primeiro é um par de recalls da Audi nos Estados Unidos, de 2017 e 2018, para A5, A5 Cabriolet e Q5 de 2013 a 2017, A4 e A4 allroad de 2013 a 2016 e A6 de 2012 a 2015, todos com o 2.0 TFSI. A bomba elétrica auxiliar de arrefecimento podia travar com detritos do sistema ou entrar em curto por umidade e superaquecer, com risco de incêndio. O primeiro recall atualizou o software para cortar a energia da bomba travada, e o segundo trocou a bomba. No Brasil, a Audi convocou A4 e A5 2.0 pelo mesmo defeito mais de uma vez. O chamado anunciado em abril de 2017, segundo o iCarros, valia para unidades produzidas entre fevereiro de 2012 e maio de 2013, e o de janeiro de 2019, segundo o AutoPapo, repetia essa faixa de produção. Quem tem um desses carros deve consultar o chassi no site da Audi ou na central de atendimento da marca.

O segundo é um boletim de 2019 da Audi of America sobre vazamento de líquido de arrefecimento na bomba d'água e na carcaça do termostato dos motores EA888 que ele designa como "Evo2" (2013 a 2019) e "Gen3" (2015 a 2019). O sintoma descrito é a luz de nível baixo do líquido acesa e vazamento sob o carro. O boletim orienta trocar a bomba só quando houver vazamento pelo furo de controle, sempre com a vedação nova, e não trocar bomba e carcaça do termostato juntas sem que as duas estejam vazando. O próprio boletim se declara apenas informativo, sem efeito sobre a garantia.

Para quem tem um desses carros no Brasil, o que vale é o que os documentos mostram: os boletins e acordos citados aqui são norte-americanos. Eles ajudam a entender o defeito e a conversar com a oficina, mas não dão direito a reparo gratuito fora dos Estados Unidos.

Fontes

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