Motor AP da Volkswagen: a família inteira explicada
BR, BS, MD-270, AP-600, AP-1800S, AP-2000i, Total Flex: o que cada nome quer dizer, o que muda entre um e outro e o que dá para saber olhando o carro.
Por Redação VAGHAUS
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Motor AP é o nome que a Volkswagen do Brasil deu à versão nacional do EA827, a família de quatro cilindros em linha, refrigerada a água e com comando de válvulas no cabeçote movido por correia dentada que a Audi criou para o Audi 80 de 1972. A família chegou ao Brasil em 1974, no Passat. Na maioria das fontes, o nome AP chega em 1985, junto com as bielas mais longas. O motor saiu de linha em 2012, com a Parati, segundo Quatro Rodas e AutoPapo; outras fontes falam em 2013.
O AP brasileiro teve três cilindradas: 1.6, 1.8 e 2.0, sempre com oito válvulas. Existiu a gasolina, a álcool e, a partir de 2003, flex, com carburador e depois com injeção monoponto e multiponto. Equipou a maior parte dos Volkswagen nacionais de motor dianteiro da época, do Gol ao Santana, e, nos anos da Autolatina, também carros da Ford.
Este guia organiza a família pelo motor, não pelo carro. A história de cada geração do Gol está em Gerações do Gol. Aqui o assunto é o que muda de um AP para outro e como descobrir qual deles está num carro.
O AP em seis linhas
- Família: EA827, projeto da Audi para o Audi 80 de 1972.
- Antes de ser AP: BR (1.5), BS (1.6) e MD-270, todos de bielas curtas, de 136 mm.
- AP propriamente dito: da linha 1986, lançada no fim de 1985, em diante, com bielas de 144 mm.
- Cilindradas: 1.595 cm³ (AP-600, depois AP-1600), 1.781 cm³ (AP-800/AP-1800) e 1.984 cm³ (AP-2000).
- Marcos: injeção eletrônica no Gol GTi de 1989 e flex no Gol Total Flex de 2003, segundo a Volkswagen os primeiros do Brasil.
- Fim: 2012, na Parati, segundo Quatro Rodas e AutoPapo. Não encontramos data publicada pela Volkswagen.
De onde vem: o EA827 da Audi
A família nasceu em Ingolstadt. Segundo a Audi, o chefe de desenvolvimento Ludwig Kraus propôs uma série modular de motores e previu para ela um quatro-cilindros com comando no cabeçote (OHC). O motor foi desenvolvido pelo técnico Franz Hauk e sua equipe e ficou conhecido internamente como EA 827. A Audi afirma que ele se tornou o motor mais fabricado do Grupo Volkswagen. O AP, portanto, não é um projeto brasileiro: brasileiro é o caminho que a família seguiu aqui, com a mudança de 1985, os motores a álcool, a injeção e o flex.
A estreia foi no Audi 80 de primeira geração, apresentado em julho de 1972. Nele, a família ia de 1,3 a 1,6 litro e de 40 kW (55 PS) a 74 kW (100 PS), segundo a mesma fonte. Um ano depois, em maio de 1973, a Volkswagen lançou o Passat sobre a plataforma do Audi 80. O histórico oficial do Passat B1 registra que os motores, longitudinais, vinham "do sistema modular do grupo" (tradução livre da VAGHAUS), todos com correia dentada: 1.3 de 55 PS e 1.5 de 75 PS e 85 PS (PS é a abreviatura alemã do cavalo-vapor).
É comum ler que o AP "tem sua origem em um projeto militar da Mercedes-Benz", como diz a Quatro Rodas; Autoentusiastas e Webmotors também atribuem o projeto à Daimler-Benz. A Audi não conta essa versão: o motor de origem Daimler-Benz, levado por Ludwig Kraus, é o do Audi de 1965, contado em Quatro anéis da Audi, e o EA827 é um projeto posterior, que a própria Quatro Rodas chama de "nova família EA-827" ao descrever o Audi 80.
Antes do AP: BR, BS e MD-270
O primeiro EA827 brasileiro foi o 1.5 do Passat, fabricado em São Bernardo do Campo e lançado em 1974 como modelo 1975. Segundo a Volkswagen do Brasil, o Passat foi o primeiro Volkswagen nacional com motor refrigerado a água, de 1.471 cm³. O prefixo de numeração era BR, segundo o Autoentusiastas e a Quatro Rodas. Por isso nem todo motor de Passat é AP: os de 1974 até 1985 são da família EA827, mas anteriores ao AP.
No fim de 1975, já como linha 1976, veio o Passat TS, com o 1.6 de 1.588 cm³. O aumento veio do diâmetro dos cilindros, que passou de 76,5 para 79,5 mm, com o mesmo curso de 80 mm. O prefixo passou a ser BS. Segundo a Volkswagen, o 1.6 desse primeiro TS era importado da Alemanha. A versão a álcool do Passat chegou em 1979.
O terceiro nome foi o MD-270, apelidado de "Torque": um 1.6 revisto para ter mais força em baixa rotação. A estreia foi em 1982, segundo o Autoentusiastas (2023) e a Webmotors, ou em 1983, no Passat, segundo a Quatro Rodas. As fontes também divergem na origem: a Quatro Rodas o descreve como atualização do BR, e o Autoentusiastas, como revisão do BS. Segundo Douglas Mendonça, no Autoentusiastas, MD vem de Maximales Drehmoment ("torque máximo", em alemão) e 270 é a duração do comando, em graus. Nessa fase, Voyage (1981) e Parati (1982) já usavam motores da família. A Saveiro trocou o 1.6 a ar pelo refrigerado a água no fim de 1984, segundo a Volkswagen.
O passo seguinte foi um bloco novo. Em 1984, o Gol GT estreou o 1.8 de 1.781 cm³ (81 x 86,4 mm), com 99 cv. No mesmo ano, o Santana chegou com uma versão mais mansa, de 85 cv na gasolina e 92 cv no álcool, segundo a Volkswagen. Esse 1.8 ainda tinha as bielas curtas dos antecessores. O nome dele varia: o Autoentusiastas (2023) já o chama de AP-800, e a Webmotors, de MD-280.
O que mudou em 1985 e virou "AP"
A diferença essencial entre um "pré-AP" e um AP está dentro do bloco. As bielas passaram de 136 mm para 144 mm, e o bloco ficou ligeiramente mais alto. Os pistões ganharam saia mais curta, e as válvulas de escapamento do 1.8 cresceram de 31 para 33 mm. Esses dados são do Autoentusiastas, e o comprimento das bielas é o mesmo na Quatro Rodas e no AutoPapo. Com biela mais longa, a força lateral do pistão contra o cilindro diminui, e o motor fica mais suave. Daí os apelidos registrados pelo AutoPapo: "bielinha" para o motor antigo e "bielão" para o AP.
A própria Volkswagen data a mudança. No histórico do Voyage, ela registra o 1.8 em 1984 e, "em 1985, o motor de biela longa". No do Gol, diz que a série limitada Plus, no fim de 1985, "abria o caminho para o famoso motor AP 600". Segundo o AutoPapo, em setembro de 1985 o AP-600 já aparecia em Gol, Voyage, Parati, Passat e Saveiro, todos já como modelo 1986.
Com o bloco novo veio também um 1.6 novo: mesmo diâmetro de 81 mm do 1.8, com curso menor, de 77,4 mm. O Autoentusiastas dá 1.595 cm³ num texto e 1.596 cm³ em outro; a conta com essas medidas dá 1.595 cm³. Nasciam o AP-600 (1.6) e o AP-800 (1.8). A versão mais forte do 1.8 era o AP-800S, que segundo a Webmotors se diferenciava pelo comando de válvulas (código 049G).
O significado da sigla tem menos documento do que fama. A imprensa (Autoentusiastas, Quatro Rodas, Webmotors) diz que AP vem de "Alta Performance". Não encontramos documento da Volkswagen que explique a sigla. Nos textos de acervo, a marca a usa só como nome de produto: AP 600, AP-1800, AP-2000. Citado pelo AutoPapo, o jornalista Bob Sharp lembra que AP era um nome comercial e que o motor continuava sendo um EA827.
A família, nome por nome
| Nome | Cilindrada (diâm. x curso) | Bielas | Quando | Onde estreou |
|---|---|---|---|---|
| BR | 1.471 cm³ (76,5 x 80 mm) | 136 mm | 1974 | Passat |
| BS | 1.588 cm³ (79,5 x 80 mm) | 136 mm | linha 1976 | Passat TS |
| MD-270 "Torque" | 1,6 litro | 136 mm | 1982 (Autoentusiastas, Webmotors) ou 1983 (Quatro Rodas) | Passat, Voyage, Parati |
| 1.8 de bielas curtas (AP-800 para o Autoentusiastas; MD-280 para a Webmotors) | 1.781 cm³ (81 x 86,4 mm) | 136 mm | 1984 | Gol GT e Santana |
| AP-600, depois AP-1600 | 1.595 cm³ (81 x 77,4 mm) | 144 mm | set./fim de 1985, linha 1986 | Gol, Voyage, Parati, Passat e Saveiro (AutoPapo) |
| AP-800, depois AP-1800 | 1.781 cm³ (81 x 86,4 mm) | 144 mm | 1985 | Santana, Quantum, Passat GTS Pointer, Voyage |
| AP-800S, depois AP-1800S | 1.781 cm³ (81 x 86,4 mm) | 144 mm | 1985 | Gol GT, depois Gol GTS |
| AP-2000 | 1.984 cm³ (82,5 x 92,8 mm) | 144 mm | 1988 ou 1989, conforme a fonte | Santana |
| AP-2000i | 1.984 cm³ | 144 mm | 1989 | Gol GTi |
| AP 1.6 e 1.8 Total Flex | 1.6 e 1.8 | 144 mm | 2003 (1.6) | Gol Total Flex |
Fontes: cilindrada do BR, Volkswagen do Brasil; demais cilindradas, medidas e bielas, Autoentusiastas, com bielas também na Quatro Rodas e no AutoPapo; datas do AP, Volkswagen (históricos do Voyage e do Gol) e AutoPapo; carros de estreia do AP-600, do AP-800 e do AP-800S, AutoPapo; AP-2000 em 1988, Autoentusiastas e Quatro Rodas, e em 1989 no Santana, Volkswagen.
Depois veio o 2.0, com diâmetro e curso maiores. Com ele, por uniformidade, AP-600 e AP-800 passaram a se chamar AP-1600 e AP-1800, como registra o Autoentusiastas. A data do 2.0 depende da fonte. O Autoentusiastas fala em 1988, no Santana e na Quantum (texto de 2023); a Quatro Rodas, em 1988, no Santana. O histórico do Santana publicado pela Volkswagen diz que o sedã ganhou o AP-2000 em 1989, que pode ser o ano-modelo.
A família teve ainda dois ramos que não são o AP de gasolina e álcool. Um é o 1.6 diesel, que segundo a Quatro Rodas estreou na Kombi em 1981, com 50 cv, e saiu do mercado interno em 1986. O outro é o 2.0 16V de 145 cv do Gol GTI da geração "bola", que a Volkswagen diz ter sido importado da Alemanha. É EA827, mas não é o AP nacional de oito válvulas.
Potência: os números e as normas
A potência do AP aparece de jeitos diferentes conforme a fonte e a época, e a norma quase nunca é informada. O exemplo mais claro está no primeiro motor da família. A Volkswagen do Brasil fala em 78 cv brutos para o 1.5 do Passat de 1974. O Autoentusiastas dá 65 cv líquidos, pela norma brasileira NBR 5484, e a Quatro Rodas dá 65 cv DIN. Os dois números podem estar certos ao mesmo tempo: a potência bruta é medida sem acessórios e a líquida, com o motor como vai no carro. Por isso, potência bruta e líquida não se comparam.
| Motor e carro | Gasolina | Álcool/etanol | Fonte (norma) |
|---|---|---|---|
| 1.5 BR, Passat 1974 | 78 cv | – | Volkswagen ("brutos") |
| 1.5 BR, Passat 1974 | 65 cv | – | Autoentusiastas (líquida, NBR 5484); Quatro Rodas (DIN) |
| 1.6, Passat 1976 | 96 cv | – | Volkswagen (norma não informada) |
| 1.6 BS, Passat TS 1976 | 80 cv | – | Autoentusiastas (líquida) |
| 1.8, Santana 1984 | 85 cv | 92 cv | Volkswagen (norma não informada) |
| 1.8, Gol GT 1984 | – | 99 cv | Volkswagen; Autoentusiastas (líquida, NBR 5484) |
| AP-600 1.6 | 80 cv | 90 cv | Quatro Rodas; Autoentusiastas, 2019 (norma não informada) |
| AP-600 1.6 | – | 85 cv | Autoentusiastas, 2023 ("líquidos"); AutoPapo (norma não informada) |
| AP-1800, Apollo 1990 | 92 cv | 105 cv | Volkswagen (norma não informada) |
| AP-1800, Pointer 1994 | 86 cv | 95 cv | Volkswagen (norma não informada) |
| AP-2000, Pointer 1994 | 106 cv | 113 cv | Volkswagen (norma não informada) |
| AP-2000i, Gol GTi 1989 | 120 cv | – | Volkswagen (norma não informada) |
| AP-2000i, Gol GTi 1989 | 114 cv | – | Autoentusiastas (líquida) |
| AP-2000i, Pointer GTi 1994 | 115,5 cv | – | Volkswagen (norma não informada) |
| AP-1600 Total Flex | 99 cv | 101 cv | AutoPapo; Quatro Rodas |
| AP-1800 Total Flex | 103 cv | 106 cv | AutoPapo; Quatro Rodas |
Três pontos da tabela pedem cuidado. O primeiro é o Gol GT: segundo o Autoentusiastas, 99 cv era o limite de potência para a alíquota menor do IPVA. Na época se dizia que o motor teria uns 106 cv de verdade. O próprio autor anota: "nada comprovado". O segundo é o AP-600 a álcool: o mesmo autor, Douglas Mendonça, dá 90 cv em 2019 e "85 cv líquidos" em 2023. O terceiro é o AP-2000i, que aparece com 120, 115,5 e 114 cv. São versões, anos e possivelmente normas diferentes, e nenhuma das fontes explica a diferença.
Como identificar o AP de um carro
Não há um jeito único de identificar o motor. A sequência abaixo vai do mais fácil ao que exige abrir o motor, e usa só o que tem registro.
- Refrigeração e posição. Os motores a ar da Volkswagen, como o do Fusca e o dos primeiros Gol, ficam sem radiador. O AP é refrigerado a água. Na família Gol, no Passat e no Santana, ele fica no sentido longitudinal, do comprimento do carro. A exceção documentada é o Apollo: segundo a Volkswagen, nele o AP 1800 ia atravessado, ao contrário do Voyage. A posição sozinha não identifica o motor.
- Ano do carro. Um EA827 fabricado antes da linha 1986 é BR, BS, MD-270 ou o 1.8 de bielas curtas, e não um AP no sentido da maioria das fontes (a exceção de nomenclatura é o 1.8 de 1984, que o Autoentusiastas já chama de AP-800). A data de referência é a da Volkswagen e do AutoPapo: motor de biela longa no Voyage em 1985 e AP 600 a partir da linha 1986, lançada no fim de 1985.
- Emblemas. A sigla na carroceria diz a cilindrada e a alimentação, não a família do motor. "1.8 S" indica o 1.8 mais potente das versões esportivas e de topo, como o Gol GTS e o Voyage GLS de 1991. "i" (1.6i, 1.8i, 2.0i, ou CLi e GLi na Parati 1996) indica injeção, em geral monoponto nos 1.6 e 1.8. "Mi" indica injeção multiponto. "Total Flex", a partir de 2003, indica flex. Atenção ao 1.6: no Voyage CL de 1991, a Volkswagen registra o AE 1600, de outra família, ao lado do AP 1.8 das versões GL e GLS. E nenhum 1.0 foi AP.
- Cabeçote de 16 válvulas? Então não é AP nacional. Segundo a Webmotors, o AP brasileiro sempre teve um comando e oito válvulas. O 2.0 16V do Gol GTI da geração "bola" era importado.
- 1.6 ou 1.8? AP ou AE? Por fora, a cilindrada do AP não aparece. O AP-600 nasceu "de mesmo bloco e cabeçote do AP-800", segundo o Autoentusiastas, com o mesmo diâmetro de 81 mm. O que muda é o curso, de 77,4 contra 86,4 mm, ou seja, virabrequim e pistões. O 2.0 tem cilindros maiores, de 82,5 mm. Para saber a cilindrada e confirmar que um 1.6 é AP e não AE, é preciso olhar a documentação do carro e do motor ou medir o curso.
- Bielas de 136 ou 144 mm? Só desmontando. O bloco do AP é ligeiramente mais alto, mas não encontramos a medida da diferença em fonte confiável.
Sobre o código do motor: os prefixos BR e BS estão documentados na imprensa. Para os AP, há em fóruns listas de códigos de duas letras por versão e combustível. Não encontramos nenhuma em documento da Volkswagen, como manual ou catálogo de peças, e por isso não reproduzimos essas listas aqui. Se você tem um catálogo de peças ou um manual de reparação da época, escreva para redacao@vaghaus.com.br.
Carburador, injeção e flex
A alimentação do AP mudou em três etapas.
Carburador (1985 em diante). No começo, o AP-800 usava um Brosol 2E de corpo duplo, com segundo estágio a vácuo, e o AP-600 um Wecarbrás TLDZ, segundo o Autoentusiastas. O AP-2000 de 1988 também nasceu carburado.
Injeção (1989 em diante). Em 19 de janeiro de 1989, o Gol GTi chegou com o AP-2000i de 120 cv e injeção eletrônica. A Volkswagen o apresenta como o primeiro carro brasileiro com injeção, "com um sistema analógico totalmente desenvolvido no Brasil". O Autoentusiastas identifica o sistema como Bosch LE-Jetronic multiponto, com ignição digital EZ-K. Depois vieram o Santana Executive de 1990, com injeção, e em 1991 a injeção nos 1.8 e 2.0 de toda a linha Santana. Também em 1991 o Santana passou a ter catalisador, o primeiro carro nacional com o equipamento, segundo a Volkswagen. Por volta de 1994 a injeção monoponto se espalhou pela linha. A Parati 1996, lançada em outubro de 1995, já tinha monoponto nos 1.6 e 1.8 e multiponto no AP-2000, segundo a marca. A sigla Mi se generalizou na linha 1997, de acordo com o Autoentusiastas.

Flex (2003 em diante). Em março de 2003 chegou o Gol Total Flex, que aceita gasolina, etanol ou qualquer mistura dos dois. A Volkswagen o chama de "primeiro carro com motor flex do Brasil". O motor era um AP-1600, com 99 cv na gasolina e 101 cv no etanol, segundo AutoPapo e Quatro Rodas. Depois veio o 1.8 flex.
Em que carros o AP foi usado
Volkswagen. Gol (do AP 600 da linha 1986 até a geração "bola" e suas reestilizações de motor longitudinal), Voyage, Parati, Saveiro, Passat (até 1988), Santana (até 2006), Quantum (até 2003), Apollo (1990 a 1992) e Pointer (1993 a 1996). A Saveiro de 2000 ainda oferecia 1.6, 1.8 e 2.0. O Santana de 1999 tinha as versões 1.8 e 2.000 Mi. Os anos de produção são os dos históricos da Volkswagen.
Ford, na Autolatina. A associação entre Volkswagen e Ford no Brasil, de 1987 a 1996, levou o AP aos Ford. Segundo o AutoPapo, a partir de 1989 o AP-1800 equipou Escort, Del Rey, Belina e Pampa. O Escort XR3 de 1989 recebeu o AP 1800 S, o mesmo do Gol GTS.
Gurgel. Segundo o AutoPapo, parte das versões do Carajás usou o AP-1800, numa variante de 97 cv que vinha do Santana.
A geração "bola" do Gol, de 1994, usou o AP 1.6, 1.8 e 2.0 ao lado dos 1.0, que eram de outras famílias: primeiro o AE, de origem Ford, e depois o EA111. Essa transição está em Gerações do Gol.
O fim: o EA111 e a virada para o motor transversal
Não encontramos norma nem comunicado que marque o fim do AP, e a Volkswagen não explicou a troca. O que os registros mostram é um motor que foi perdendo carros. O sucessor foi o EA111, família de origem europeia que a Volkswagen passou a fabricar em São Carlos (SP) a partir de 1996. Na família Gol, a virada veio com o G5 de 2008, de plataforma nova e motor transversal (EA111). O 2.0 turbo que a Volkswagen do Brasil vende hoje no Golf GTI e no Jetta GLI é de outra família, contada em Motor EA888.
A sequência foi esta:
- 2003: fim da Quantum (Volkswagen).
- 2006: fim do Santana (Volkswagen).
- 2008: o Gol G5 estreia a plataforma nova, de motor transversal (Volkswagen).
- 2009: a Saveiro de quinta geração passa ao EA111 1.6 VHT transversal (Volkswagen).
- 2012: sai de linha a Parati, a última com AP, segundo a Quatro Rodas ("em setembro de 2012") e o AutoPapo ("Seguiu até 2012, quando apareceu, pela última vez, na Parati"). Na fase final, segundo o Autoentusiastas, ela usava uma versão modernizada do AP-1600.
A data do último AP varia. Quatro Rodas e AutoPapo ficam com 2012 e a Parati. Douglas Mendonça, no Autoentusiastas, fala em 2013, "um ano depois da Parati", mas não diz em que carro. A Webmotors liga o fim ao do Gol G4, em 2013. Não encontramos data publicada pela Volkswagen, nem registro de um carro com AP fabricado depois da Parati. Por isso adotamos 2012.
O mesmo Autoentusiastas registra que, no fim, o AP-1600 e o EA111 1.6 que o substituiu estavam praticamente empatados: 1 cv de diferença na potência máxima e até 1 kgfm no torque.
Fontes
- Mit diesem Auto trifft Audi den Zeitgeist: erster Audi 80 vor 50 Jahren vorgestellt, Audi MediaCenter (Audi AG), .
- Passat B1 (1973–1980): Factory code Type 32 / Type 33, Volkswagen Newsroom.
- Volkswagen comemora 45 anos do Passat no Brasil, Volkswagen do Brasil (VW News), .
- Passat (acervo Garagem VW), Volkswagen do Brasil (VW News), .
- Gol (acervo Garagem VW), Volkswagen do Brasil (VW News), .
- Voyage (acervo Garagem VW), Volkswagen do Brasil (VW News), .
- Parati (acervo Garagem VW), Volkswagen do Brasil (VW News), .
- Saveiro (acervo Garagem VW), Volkswagen do Brasil (VW News), .
- Santana (acervo Garagem VW), Volkswagen do Brasil (VW News), .
- Apollo (acervo Garagem VW), Volkswagen do Brasil (VW News), .
- Pointer GTI (acervo Garagem VW), Volkswagen do Brasil (VW News), .
- Fábrica Taubaté e VW Gol: Uma história que virou paixão nacional, Volkswagen do Brasil (VW News), .
- VW São Carlos completa 25 anos com 12,5 milhões de motores produzidos, Volkswagen do Brasil (VW News), .
- Motores VW da família AP, um dos melhores já produzidos no Brasil, Autoentusiastas (Douglas Mendonça), .
- História vitoriosa dos motores AP e seus quase 40 anos de produção, Autoentusiastas (Douglas Mendonça), .
- AP: o motor mais popular da Volkswagen tem herança Mercedes-Benz, Quatro Rodas (Henrique Rodriguez), .
- Motor AP: você sabia desses 7 fatos sobre o icônico Volkswagen?, AutoPapo, .
- Motor AP da VW é um clássico cultuado até hoje, Webmotors, .
- O Volkswagen Ford, Autoentusiastas (Carlos Meccia), .
- 60 Jahre Audi aus Ingolstadt (Audi F103): Vier Ringe mit Viertakt-Sound, Autohaus (SP-X), .
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