Chassi de VW nacional: como ler o número posição por posição
O que cada um dos 17 caracteres diz sobre um Volkswagen nacional, o que só a fábrica sabe e como eram numerados os carros a ar, antes do padrão.
Por Redação VAGHAUS
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O chassi de um Volkswagen feito no Brasil nas últimas décadas tem 17 caracteres e começa por 9BW, o código da Volkswagen do Brasil. Lido da esquerda para a direita, ele diz quem fez o carro (posições 1 a 3), o ano-modelo (posição 10), a fábrica (posição 11) e a ordem de produção (posições 12 a 17). Versão, motor e opcionais não se descobrem por ele, e a cor não está no número.
A letra da fábrica é a parte que os decodificadores genéricos não sabem ler, e a VW do Brasil não publica a tabela dela. Pelo cruzamento que fizemos entre documentos da própria VW, explicado mais abaixo, P corresponde à fábrica Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP), T a Taubaté (SP) e 4 a São José dos Pinhais (PR). É uma dedução nossa, não um código oficial. O 4 tem um apoio a mais: na base de dados da NHTSA, a agência federal americana de segurança no trânsito, montada com as informações que as montadoras entregam, ele aparece como "Curitiba, Brasil", inclusive em chassis 9BW de Golf e GTI de 2002 a 2005.
O ano-modelo vem numa letra ou num algarismo, de uma lista que se repete a cada 30 anos: A vale 1980 ou 2010, T vale 1996 ou 2026. A dúvida se desfaz com o ano de fabricação, que a lei manda gravar em quatro algarismos perto do chassi ou numa plaqueta.
Leia um chassi
Digite um chassi de 17 caracteres, ou a numeração antiga de um VW a ar ou de um Passat. O leitor usa só as tabelas deste guia, e o que você digita não sai do seu navegador: nada é enviado nem guardado.
Espaços, pontos e hífens são ignorados.
Desfaz a dúvida entre os dois ciclos do ano-modelo.
Os 17 caracteres num quadro só
A Resolução 968/2022 do Contran, que hoje regula a identificação de veículos no Brasil, divide o número de identificação do veículo (o VIN, que o brasileiro chama de chassi) em três blocos: WMI, o identificador do fabricante (3 caracteres); VDS, a seção descritiva (6); e VIS, a seção que distingue um carro do outro na produção (8).
| Posição | Bloco | O que diz num VW nacional | Até onde dá para ler |
|---|---|---|---|
| 1 a 3 | WMI | Fabricante: 9BW é a Volkswagen do Brasil | Lê-se com segurança |
| 4 a 8 | VDS | Códigos internos da VW (nos antigos, ZZZ nas posições 4 a 6) | A VW entrega a tabela ao governo, não ao público |
| 9 | VDS | Dígito verificador nos VW recentes | Dá para conferir com uma conta |
| 10 | VIS | Ano-modelo | Lê-se pela tabela; ambíguo a cada 30 anos |
| 11 | VIS | Fábrica | P, T e 4 deduzidos por nós de documentos da VW; os demais, não identificados |
| 12 a 17 | VIS | Número sequencial de produção | É só a ordem; não diz versão nem cor |
Desde 1º de janeiro de 1999, pela Resolução 24/1998, todo veículo produzido ou importado precisa desse número para ser registrado; hoje a regra está na 968/2022. A VW do Brasil já o usava antes: o primeiro Fusca da volta de 1993, guardado no acervo da marca, tem chassi começado por 9BW. E a base da NHTSA reconhece como Fox, o carro brasileiro vendido nos Estados Unidos, os chassis 9BW de modelo 1987 a 1993. Não achamos documento que date quando a VW passou a usar os 17 caracteres nos carros vendidos aqui.
Posições 1 a 3: quem fabricou
Todos os chassis completos de carros nacionais que a VW do Brasil publica começam por 9BW: os dos Fuscas de 1993 e 1996 do acervo e os de T-Cross, Nivus, Polo, Virtus e Saveiro que aparecem nos avisos de recall, de anos-modelo 2022 a 2025. Na base da NHTSA, o 9BW está registrado em nome da Volkswagen Group of America, a filial do grupo nos Estados Unidos, que vendeu lá o Fox brasileiro. Quem usa o código nos carros é a VW do Brasil.
Nos VW importados vendidos aqui, a base da NHTSA identifica os prefixos mais comuns. A última linha não é de fabricante: é o prefixo que a Senatran dá a veículos regularizados, explicado no fim do texto.
| Prefixo | Fabricante segundo a NHTSA | Exemplos nos recalls da VW do Brasil |
|---|---|---|
| 9BW | Volkswagen (registrado pela Volkswagen Group of America) | Todos os VW nacionais |
| 3VW | Volkswagen de México (automóveis) | Jetta |
| 3VV | Volkswagen de México (veículos multiuso) | Tiguan Allspace |
| WVW | Volkswagen AG, Alemanha (automóveis) | Golf importado, Passat |
| WV1 | Volkswagen (registrado pela Volkswagen Group of America), Alemanha, veículos comerciais | Amarok |
| XXX | Não é fabricante: número atribuído pela Senatran na regularização (Resolução 968, Anexo II) | Nenhum |
O prefixo diz quem registrou o código, não onde o carro foi montado. A Amarok é feita em General Pacheco, na Argentina, segundo a VW, e mesmo assim os chassis dela nos avisos de recall começam por WV1, prefixo que a NHTSA associa à Alemanha.
Três códigos ficam de fora por falta de documento. Não confirmamos o prefixo da Audi para os carros montados em São José dos Pinhais (o caso é discutido no artigo sobre o Audi A3 nacional), nem o da VW Caminhões e Ônibus. O prefixo 8AW aparece num SpaceFox listado pela VW, mas não achamos documento que diga a que empresa ele pertence.
Posições 4 a 8: a parte que a VW guarda
O meio do chassi é onde cada montadora descreve o carro do jeito que quiser. A Resolução 968 define essa seção como a que traz as características gerais do veículo e manda o fabricante entregar à Senatran (a Secretaria Nacional de Trânsito) "a decodificação completa do VIN" de todos os modelos. A Senatran repassa esses dados aos órgãos de trânsito, à polícia e à perícia, mas não ao público.
O que se vê de fora são padrões. Nos chassis antigos que a VW publica, as posições 4 a 6 são ZZZ; o Fusca de 1993 e o de 1996 têm o mesmo trecho, "ZZZ11". Nos recentes, há letras e algarismos, e as posições 7 e 8 se repetem por modelo nos avisos de recall: BF nos T-Cross, BZ nos Polo e Virtus, CH nos Nivus, 5U nas Saveiro. Nos documentos que a VW entrega à NHTSA para os carros americanos, a quarta posição tem o rótulo de série, a quinta de tipo de motor, a sexta de sistemas de retenção, e a sétima e a oitava de modelo. Não há documento público que diga se os VW nacionais seguem a mesma divisão.
Na prática, quem está de fora usa as posições 4 a 8 para comparar dois carros do mesmo modelo. Versão, motor e opcionais podem estar codificados ali, mas sem a tabela da VW o leitor não tem como lê-los.
Posição 9: a conta que pega erro de digitação
Nos Estados Unidos, a nona posição é obrigatoriamente um dígito verificador: um algarismo, ou a letra X, que resulta de uma conta feita com os outros 16 caracteres. Se alguém copia um caractere errado, a conta deixa de bater. A Resolução 968 não fala em dígito verificador, e a norma brasileira a que ela remete, a ABNT NBR 6066:2022, é paga; não a consultamos.
A VW do Brasil usa o dígito verificador nos carros recentes. Fizemos a conta nos 23 chassis completos de VW nacionais, de anos-modelo 2022 a 2025, que a marca publica nos avisos de recall, e todos bateram. Nos dois Fuscas do acervo, não: o de 1993 tem Z na nona posição, e o de 1996 tem 3 onde a conta daria 6. Por isso, a conta só serve de prova num 9BW sem ZZZ nas posições 4 a 6 e de ano-modelo 2022 em diante, o grupo que conferimos. Num 9BW com ZZZ, a nona posição não é dígito verificador; nos outros casos, o resultado da conta é só informativo.
Como fazer a conta:
- Troque cada letra pelo valor da tabela abaixo; os algarismos valem o próprio número.
- Multiplique cada valor pelo peso da posição: 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2 e 10 para as posições 1 a 8; 0 para a 9; 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3 e 2 para as posições 10 a 17.
- Some tudo e divida por 11. O resto é o dígito verificador; se o resto for 10, o dígito é X.
| Letras | Valor |
|---|---|
| A, J | 1 |
| B, K, S | 2 |
| C, L, T | 3 |
| D, M, U | 4 |
| E, N, V | 5 |
| F, W | 6 |
| G, P, X | 7 |
| H, Y | 8 |
| R, Z | 9 |
A regra americana proíbe as letras I, O e Q em qualquer posição. A Resolução 968 evita as mesmas letras nos códigos que ela própria cria para veículos regularizados: escreve "C0L", com zero, para coleção, e "1MP", com o algarismo um, para importado. Nos chassis da VW do Brasil que examinamos, nenhuma das três aparece. Se um chassi de 17 caracteres no documento tem um O, quase certamente é um zero. A exceção é o chassi começado por XXX, explicado no fim do texto: ele herda o começo do número antigo do carro, e ali um O ou um I pode ser letra mesmo.
Posição 10: o ano-modelo
A Resolução 24/1998 já reservava o décimo caractere para identificar o modelo; a 581/2016 deixou claro que ele pode ser letra ou algarismo; e a 968/2022 diz com todas as letras que ele corresponde obrigatoriamente ao ano-modelo. A mesma resolução limita a distância entre os dois anos: o ano-modelo só pode ser o anterior, o mesmo ou o seguinte ao ano de fabricação.
A tabela abaixo é a da regra americana (49 CFR 565). A da norma brasileira, paga, não foi consultada, mas os chassis da VW do Brasil conferem com a americana, como se vê logo depois. São 30 símbolos, sem I, O, Q, U, Z e sem o zero, e por isso a lista recomeça a cada 30 anos.
| Código | Ano | Ano (ciclo seguinte) |
|---|---|---|
| A | 1980 | 2010 |
| B | 1981 | 2011 |
| C | 1982 | 2012 |
| D | 1983 | 2013 |
| E | 1984 | 2014 |
| F | 1985 | 2015 |
| G | 1986 | 2016 |
| H | 1987 | 2017 |
| J | 1988 | 2018 |
| K | 1989 | 2019 |
| L | 1990 | 2020 |
| M | 1991 | 2021 |
| N | 1992 | 2022 |
| P | 1993 | 2023 |
| R | 1994 | 2024 |
| S | 1995 | 2025 |
| T | 1996 | 2026 |
| V | 1997 | 2027 |
| W | 1998 | 2028 |
| X | 1999 | 2029 |
| Y | 2000 | 2030 |
| 1 | 2001 | 2031 |
| 2 | 2002 | 2032 |
| 3 | 2003 | 2033 |
| 4 | 2004 | 2034 |
| 5 | 2005 | 2035 |
| 6 | 2006 | 2036 |
| 7 | 2007 | 2037 |
| 8 | 2008 | 2038 |
| 9 | 2009 | 2039 |
Os documentos da VW batem com a tabela. Na base da NHTSA, os Fox de 9BW com H na décima posição são modelo 1987, e os com P, 1993. O Fusca do acervo apresentado a Itamar Franco tem P (1993), e o conversível de 1996, transformado pela Sulam depois do fim da Série Ouro, T (1996). O comunicado da VW grafa o chassi desse Fusca de 1993 com 16 caracteres (9BWZZZ11ZPP00001), um a menos que o padrão; a 10ª e a 11ª posições não mudam se o que falta for um zero da sequência, como parece. Nos avisos de recall, o Tera 2026 aparece com T, o último Gol, de 2023, com P, e os Polo Sedan de 2007 e 2008 com 7 e 8.
Como desfazer a dúvida entre os dois ciclos:
- Procure o ano de fabricação gravado. A Resolução 968 exige os quatro algarismos do ano de fabricação junto ao chassi ou numa plaqueta destrutível. Nos VW atuais, segundo os manuais, a placa fica na coluna da porta dianteira direita. Para carros produzidos a partir de 1º de janeiro de 2025, a mesma resolução exige que o ano-modelo esteja a no máximo um ano do de fabricação; um T com fabricação 2025 é 2026, nunca 1996.
- Confira o documento. O CRLV traz o ano de fabricação e o ano-modelo.
- Use o bom senso do modelo. Um T-Cross não pode ser de 1980. Para um 9BW de 17 caracteres, a leitura 1980 (ou qualquer outra anterior a 1987) é improvável: o formato só ficou obrigatório aqui em 1999, e o 9BW mais antigo que encontramos documentado é de modelo 1987. Na dúvida, vale o ano de fabricação gravado no carro.
Um aviso para quem leu sobre o assunto em sites americanos: lá, a sétima posição desfaz a dúvida (algarismo para 1980 a 2009, letra a partir de 2010). Essa regra não vale para os VW nacionais. Nas Saveiro 2025 que a VW lista nos recalls, a sétima posição é um algarismo, e a regra americana as daria como 1995. A própria base da NHTSA cai nessa armadilha: testamos nela um chassi real de Saveiro 2023, e a resposta foi 1993.
Posição 11: a fábrica
| 11ª posição (em chassi 9BW) | Fábrica | Em que se apoia (dedução da VAGHAUS, não tabela oficial) |
|---|---|---|
| P | Anchieta, São Bernardo do Campo (SP) | NHTSA: P = Brasil nos Fox de 1987 a 1993, sem cidade; num 9BW fictício de 2016, a mesma base lê o P como Mosel, na Alemanha, leitura que não vale para os nacionais. VW: P nos avisos da Kombi, da Saveiro e do Nivus, todos de uma fábrica só, e nos Fuscas de 1993 e 1996 do acervo |
| T | Taubaté (SP) | VW: T nos avisos do up!, que só saiu de Taubaté; também nas faixas do Tera e do Gol posterior a 2017, em campanhas que reúnem outros modelos |
| 4 | São José dos Pinhais (PR) | NHTSA: 4 = Curitiba, Brasil, em chassis WVW e em 9BW fictícios de Golf e GTI de 2002 a 2005; num T-Cross real que testamos, a base não indica fábrica. VW: 4 nos T-Cross, feitos só em São José dos Pinhais, em campanhas exclusivas do modelo |
| (nenhuma) | São Carlos (SP) | Fábrica de motores; não monta carros |
| não confirmado | VW Caminhões e Ônibus | Sem documento |
| não confirmado | Audi, São José dos Pinhais | Sem documento |
A letra só tem sentido junto com o prefixo, e nem a base da NHTSA acerta sempre: no 9BW fictício de 2016, ela aplica a tabela da Volkswagen AG e transforma a Anchieta em Mosel. Nos importados vendidos aqui, a leitura é outra:
| Prefixo | 11ª posição | Leitura |
|---|---|---|
| 3VW ou 3VV | M | Puebla, México, segundo a tabela que a VW entrega à NHTSA |
| WVW | qualquer | Volkswagen AG, Alemanha; a fábrica fica fora do escopo deste guia, que trata dos VW nacionais |
| Qualquer outra combinação | qualquer | Código de fábrica não confirmado em documento |
As Amarok e os Taos argentinos, por exemplo, trazem A nos avisos da VW, letra que não confirmamos em documento e que por isso cai na última linha.
Como chegamos às três letras. A VW do Brasil identifica os carros convocados nos avisos de recall pelos oito últimos caracteres do chassi, por exemplo "TT300291 a TT358902", ou pelo chassi inteiro. Tomamos os modelos que, segundo os comunicados da marca, saíram de uma fábrica só, e olhamos a 11ª posição. Partimos das campanhas que atingem um único modelo e dos chassis completos, em que as posições 7 e 8 já identificam o modelo. As campanhas que reúnem vários modelos servem só de indício: nelas, a página de um carro às vezes mostra a faixa de outro. Na de agosto de 2023, a página do T-Cross traz exatamente a faixa da página do Polo, com P; na de julho de 2026, a do Nivus inclui uma faixa com T, embora a VW diga que o Nivus só sai da Anchieta.
| Modelo nos avisos de recall | Fábrica, segundo a VW | 11ª posição | Tipo de prova |
|---|---|---|---|
| up! (2014 a 2018) | Taubaté | T | Direta: campanhas só do up! |
| Kombi (2009 a 2011) | Anchieta, São Bernardo do Campo | P | Direta: campanha só da Kombi |
| Saveiro (2025) | Anchieta | P | Direta: chassis completos, campanha só da Saveiro |
| Nivus (2023) | Anchieta | P | Direta: chassis completos |
| Nivus (2027) | Anchieta | P | Direta: faixa VP000004 a VP017951, campanha só do Nivus |
| T-Cross (2020 a 2025) | São José dos Pinhais | 4 | Direta: campanhas só do T-Cross |
| Fusca (1993 e 1996, acervo da VW) | São Bernardo do Campo | P | Direta: chassis completos em comunicado da VW |
| Tera (2026) | Taubaté | T | Só indício: campanhas que reúnem vários modelos |
| Gol (2018 a 2023) | Taubaté (a Anchieta deixou de fazer o Gol em agosto de 2017) | T | Só indício: campanhas compartilhadas com outros modelos |
O Gol é o indício mais forte. Até 2017 ele saía das duas fábricas paulistas, e os avisos de recall dessa época misturam faixas com P e com T no mesmo ano. Depois que a VW concentrou o Gol em Taubaté, só aparece T.
Um carro pode mudar de fábrica no meio da vida, e a letra acompanha a fábrica, não o modelo. Em julho de 2025, segundo a VW, o Polo Track saía da Anchieta e de Taubaté, e o Virtus, da Anchieta e de São José dos Pinhais. Dois carros do mesmo modelo e ano podem ter letras diferentes, e os dois estão certos.
Posições 12 a 17: a sequência
As seis posições finais são a numeração de produção. Não dizem versão, cor nem motor. Somadas ao ano e à fábrica, formam os oito caracteres do VIS, os mesmos das plaquetas e dos vidros, e é por esse trecho que a VW delimita os carros chamados num recall.
Um exemplo resolvido (chassi fictício)
O número abaixo foi inventado para este guia. Ele segue o formato e tem dígito verificador válido, mas a sequência 000000 não corresponde a nenhum carro.
9BWXX0XX1TT000000
| Posição | Caractere | Leitura |
|---|---|---|
| 1 a 3 | 9BW | Volkswagen do Brasil |
| 4 a 8 | XX0XX | Códigos internos da VW (fictícios aqui) |
| 9 | 1 | Dígito verificador: a soma ponderada dá 320; 320 dividido por 11 deixa resto 1. Confere |
| 10 | T | Ano-modelo 1996 ou 2026 |
| 11 | T | Taubaté, pela nossa dedução |
| 12 a 17 | 000000 | Sequência de produção |
Para fechar o ano, o dono olharia a plaqueta de ano de fabricação na coluna da porta dianteira direita. Se ela disser 2025, o carro é modelo 2026, porque 1996 estaria a 29 anos de distância, muito além do ano de tolerância que a lei permite.
Onde o número fica no carro
Nos VW atuais, os manuais do Tera e do Polo indicam os mesmos lugares:
- Chassi completo, gravado na carroceria: no assoalho do lado direito, à frente do banco traseiro. A película plástica sobre a gravação é proteção contra corrosão e não deve ser retirada; ela não impede o decalque.
- Plaquetas com os oito últimos caracteres (o VIS): uma no batente da porta dianteira direita e outra sob o capô, do lado do motorista, na coluna da suspensão. Os mesmos oito caracteres vêm gravados nos vidros: para-brisa, vidro traseiro e janelas laterais.
- Ano de fabricação: numa placa na coluna da porta dianteira direita.
- Certificado de segurança: na coluna da porta do motorista; pode trazer mês e ano de fabricação e o chassi.
A Resolução 968 manda gravar o chassi do lado direito da carroceria, pôr etiquetas destrutíveis no compartimento do motor e na coluna da porta dianteira direita, e marcar os oito últimos caracteres em pelo menos um para-brisa, um vidro traseiro e dois vidros de cada lado (quebra-ventos não contam). Num usado, vidro com outro número é sinal de vidro trocado, e vale perguntar por quê.
Antes dos 17 caracteres: Fusca, Kombi, Brasília e companhia
Os VW a ar e o Passat dos anos 1970 tinham outra numeração: um prefixo de dois caracteres e uma sequência. A tabela mais completa que encontramos está no Manual de Vistoria para Identificação de Veículos Automotores, de V. Quintela e O. Laitano (3ª edição, 1995), que não consultamos diretamente: lemos a página reproduzida em foto num estudo de Hugo Bueno publicado na coluna de Alexander Gromow, no Autoentusiastas, em dezembro de 2021. Ela cobre os modelos fabricados até 1982:
| Modelo | Onde está o número | Como começa |
|---|---|---|
| Fusca 1200 e 1300 até 1969 | Túnel, sob o banco traseiro | B + último algarismo do ano |
| Fusca 1300 de 1970 | Túnel, sob o banco traseiro | B ou BP |
| Fusca 1300 de 1971 a 1974 | Túnel, sob o banco traseiro | BP |
| Fusca 1300 de 1974 a 1979 | Túnel, sob o banco traseiro | BJ |
| Fusca 1300 de 1980 a 1982 | Túnel, sob o banco traseiro | BO (o manual escreve "letras BO", mas a impressão não permite distinguir O de zero) |
| Fusca 1500 (1970 a 1975) | Túnel, sob o banco traseiro | BS |
| 1600 quatro portas | Túnel, sob o banco traseiro | BB (em 1969, B9) |
| 1600 Sedan S | Túnel, sob o banco traseiro | BD |
| 1600 Sedan | Túnel, sob o banco traseiro | BS |
| 1600 TL duas portas | Túnel, sob o banco traseiro | BF |
| 1600 TL quatro portas | Túnel, sob o banco traseiro | BI (o manual escreve "letras BI", mas a impressão não permite distinguir I de um) |
| Brasília duas portas | Túnel, sob o banco traseiro | BA (BX a partir de 1982) |
| Brasília quatro portas | Túnel, sob o banco traseiro | BQ |
| Variant | Túnel, sob o banco traseiro | BV |
| Variant II | Túnel, sob o banco traseiro | BW |
| Karmann-Ghia 1200 | Túnel, sob o banco traseiro | B + último algarismo do ano |
| Karmann-Ghia 1500 e 1600 | Túnel, sob o banco traseiro | BG |
| Karmann-Ghia TC | Túnel, sob o banco traseiro | BM |
| SP1 e SP2 | Túnel, sob o banco traseiro | BL |
| Kombi 1200 | Assoalho traseiro, lado direito, no compartimento do motor | B + último algarismo do ano |
| Kombi 1500 e Clipper | Mesmo lugar da Kombi 1200 | BH |
| Passat duas portas | Parede corta-fogo, no terço central, no compartimento do motor | BT |
| Passat quatro portas | Mesmo lugar do duas portas | BU |
Três cuidados com essa tabela. Primeiro, o prefixo diz modelo e, às vezes, a fase, mas não separa versões: o SP1 e o SP2 dividem o BL. Segundo, a sequência não é a contagem de carros. No período que estudou (1968 a 1976), a numeração começava em 101, observa Bueno, e por isso o último chassi de um modelo passa a produção real em umas cem unidades. Terceiro, a tabela vem de um manual de vistoria de 1995, não de um documento da VW; em caso de dúvida sobre um carro específico, a palavra final é da fábrica. A história de cada modelo está nos guias do Fusca, da Kombi e da Brasília.
Chassi que começa por XXX: a regularização da Senatran
Quando não é possível identificar, por nenhum meio, o número de um carro nos padrões da Resolução 968, a mesma resolução manda a Senatran atribuir a ele um chassi novo, de 17 caracteres, que começa por XXX. As posições 4 a 9 repetem os seis primeiros caracteres do número original (se ele tiver menos de seis, o resto é completado com zeros; se o carro não tiver número nenhum, a Senatran designa esses caracteres); a 10ª traz o ano-modelo, ou o ano de fabricação para carros feitos antes de 1999; a 11ª é sempre zero; as posições 12 a 14 dizem o motivo da regularização; e as três últimas são uma sequência da Senatran. Se o único problema do chassi for a 10ª posição, ele não ganha XXX: mantém o número e troca só esse caractere. E, para carros fabricados a partir de 1994, a resolução pede ao fabricante uma carta laudo que indique a nova composição.
| Posições 12 a 14 | Motivo, segundo o Anexo II da Resolução 968 |
|---|---|
| MRE | Veículo de uso diplomático |
| DET | Veículo de órgão ou entidade executivo de trânsito |
| LE1 | Veículo leiloado |
| D0A | Veículo doado ou incorporado a órgão público |
| JUD | Veículo objeto de decisão judicial |
| C0L | Veículo de coleção |
| 1MP | Veículo importado |
| SEN | Caso analisado pela própria Senatran |
Uma Brasília fabricada em 1982, de chassi BX012345 (número fictício) que precisasse ser regularizada como carro de coleção receberia algo como XXXBX0123C0C0L seguido de três algarismos.
O que o chassi não conta, e onde perguntar
O chassi não deixa o leitor descobrir versão, motor nem opcionais. A seção descritiva pode guardar parte disso, mas a chave fica com a VW e com a Senatran; a cor não está no número. O manual dos VW atuais manda procurar os equipamentos do carro na documentação de venda, e o motor na etiqueta de dados do veículo e no documento. Há ainda uma etiqueta do fabricante na travessa dianteira do compartimento do motor.
Há três consultas oficiais sobre um carro específico:
- Recall pela VW: o site de recalls da Volkswagen do Brasil aceita o chassi e mostra as campanhas do carro. O serviço das campanhas é gratuito.
- Recall pela Senatran: a consulta do governo, pelo aplicativo Carteira Digital de Trânsito ou pelo Portal de Serviços da Senatran (com login na conta gov.br), aceita placa ou chassi, é gratuita e cobre campanhas divulgadas a partir de 17 de março de 2011.
- Histórico de fábrica de um clássico: a VW do Brasil vende, pela loja Volkswagen Collection, um Certificado de Veículos Clássicos para modelos nacionais de 20 anos ou mais, lançado em novembro de 2023 e baseado nas fichas de produção que a marca digitalizou (cerca de 6,5 milhões de registros, segundo ela). É um serviço pago; a VW diz que a receita sustenta a Garagem VW. Não conferimos o preço atual.
Fontes
- vPIC: decodificação de um VIN 9BW fictício de GTI 2002 com 4 na 11ª posição (Curitiba, Brasil), consultada em 26/10/2026, NHTSA.
- vPIC: identificadores de fabricante (WMI) da Volkswagen, com país e tipo, consultado em 26/10/2026, NHTSA.
- Kombi (histórico do modelo e acervo da Garagem VW), Volkswagen do Brasil (VW News), .
- Resolução Contran nº 968, de 20 de junho de 2022 (critério de identificação de veículos; DOU de 24/06/2022), Ministério dos Transportes (gov.br), .
- Resolução Contran nº 24, de 21 de maio de 1998, com as alterações da Resolução 581/2016 (texto compilado; revogada a partir de 01/01/2025), LegisWeb, .
- Resolução Contran nº 581, de 23 de março de 2016 (altera a Resolução 24/1998), Ministério dos Transportes (gov.br), .
- 49 CFR Part 565, edição de 2000: tabela de códigos de ano (1980 a 2013), dígito verificador e caracteres permitidos, U.S. Government Publishing Office (govinfo), .
- 49 CFR § 565.15: conteúdo do VIN (texto em vigor, com a regra da 7ª posição), Legal Information Institute (Cornell), reprodução do e-CFR.
- vPIC: decodificação de um VIN fictício com 4 na 11ª posição (tabela de fábricas da VW: 4 = Curitiba, Brasil), consultada em 26/10/2026, NHTSA (vPIC).
- vPIC: decodificação de um VIN fictício de Fox 1990 com P na 11ª posição (fábrica no Brasil), consultada em 26/10/2026, NHTSA (vPIC).
- vPIC: decodificação de um VIN fictício 9BW de modelo 2016 com P na 11ª posição (a base responde Mosel, Alemanha), consultada em 26/10/2026, NHTSA (vPIC).
- vPIC: decodificador de VIN, usado em 26/10/2026 com chassis reais de VW nacionais publicados nos avisos de recall da VW (uma Saveiro 2023, lida pela base como 1993, e um T-Cross 2023, sem fábrica indicada), NHTSA (vPIC).
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- VW celebra 65 anos da Anchieta e +14,7 milhões de carros produzidos, Volkswagen do Brasil (VW News), .
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- Volkswagen Saveiro alcança o marco de 400 mil unidades exportadas, Volkswagen do Brasil (VW News), .
- Volkswagen celebra a produção de 800.000 unidades da Amarok, Volkswagen do Brasil (VW News), .
- Começa hoje a pré-venda do VW Taos com benefícios exclusivos (Taos produzido em General Pacheco), Volkswagen do Brasil (VW News), .
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