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Periódico independente sobre a Volkswagen e o Grupo VW

Técnica

Chassi de VW nacional: como ler o número posição por posição

O que cada um dos 17 caracteres diz sobre um Volkswagen nacional, o que só a fábrica sabe e como eram numerados os carros a ar, antes do padrão.

Por Redação VAGHAUS

Publicado em

Etiqueta preta com o número de identificação do veículo em letras brancas, numa linha só, vista através da borda escura do para-brisa; uma tarja preta cobre parte do número, outra cobre o código bidimensional (oculto), e o emblema VW aparece à direita
Etiqueta com o VIN vista pelo para-brisa de uma VW Caravelle de prefixo WV5, exposta no salão Auto Zürich 2025, na Suíça; o fim do número foi ocultado. Nos VW nacionais, o para-brisa traz gravados apenas os oito últimos caracteres; o número inteiro fica no assoalho. Imagem: Matti Blume, via Wikimedia Commons; fim do número e código bidimensional ocultos pela VAGHAUS (CC BY-SA 4.0), redimensionada

O chassi de um Volkswagen feito no Brasil nas últimas décadas tem 17 caracteres e começa por 9BW, o código da Volkswagen do Brasil. Lido da esquerda para a direita, ele diz quem fez o carro (posições 1 a 3), o ano-modelo (posição 10), a fábrica (posição 11) e a ordem de produção (posições 12 a 17). Versão, motor e opcionais não se descobrem por ele, e a cor não está no número.

A letra da fábrica é a parte que os decodificadores genéricos não sabem ler, e a VW do Brasil não publica a tabela dela. Pelo cruzamento que fizemos entre documentos da própria VW, explicado mais abaixo, P corresponde à fábrica Anchieta, em São Bernardo do Campo (SP), T a Taubaté (SP) e 4 a São José dos Pinhais (PR). É uma dedução nossa, não um código oficial. O 4 tem um apoio a mais: na base de dados da NHTSA, a agência federal americana de segurança no trânsito, montada com as informações que as montadoras entregam, ele aparece como "Curitiba, Brasil", inclusive em chassis 9BW de Golf e GTI de 2002 a 2005.

O ano-modelo vem numa letra ou num algarismo, de uma lista que se repete a cada 30 anos: A vale 1980 ou 2010, T vale 1996 ou 2026. A dúvida se desfaz com o ano de fabricação, que a lei manda gravar em quatro algarismos perto do chassi ou numa plaqueta.

Os 17 caracteres num quadro só

A Resolução 968/2022 do Contran, que hoje regula a identificação de veículos no Brasil, divide o número de identificação do veículo (o VIN, que o brasileiro chama de chassi) em três blocos: WMI, o identificador do fabricante (3 caracteres); VDS, a seção descritiva (6); e VIS, a seção que distingue um carro do outro na produção (8).

Posição Bloco O que diz num VW nacional Até onde dá para ler
1 a 3 WMI Fabricante: 9BW é a Volkswagen do Brasil Lê-se com segurança
4 a 8 VDS Códigos internos da VW (nos antigos, ZZZ nas posições 4 a 6) A VW entrega a tabela ao governo, não ao público
9 VDS Dígito verificador nos VW recentes Dá para conferir com uma conta
10 VIS Ano-modelo Lê-se pela tabela; ambíguo a cada 30 anos
11 VIS Fábrica P, T e 4 deduzidos por nós de documentos da VW; os demais, não identificados
12 a 17 VIS Número sequencial de produção É só a ordem; não diz versão nem cor

Desde 1º de janeiro de 1999, pela Resolução 24/1998, todo veículo produzido ou importado precisa desse número para ser registrado; hoje a regra está na 968/2022. A VW do Brasil já o usava antes: o primeiro Fusca da volta de 1993, guardado no acervo da marca, tem chassi começado por 9BW. E a base da NHTSA reconhece como Fox, o carro brasileiro vendido nos Estados Unidos, os chassis 9BW de modelo 1987 a 1993. Não achamos documento que date quando a VW passou a usar os 17 caracteres nos carros vendidos aqui.

Posições 1 a 3: quem fabricou

Todos os chassis completos de carros nacionais que a VW do Brasil publica começam por 9BW: os dos Fuscas de 1993 e 1996 do acervo e os de T-Cross, Nivus, Polo, Virtus e Saveiro que aparecem nos avisos de recall, de anos-modelo 2022 a 2025. Na base da NHTSA, o 9BW está registrado em nome da Volkswagen Group of America, a filial do grupo nos Estados Unidos, que vendeu lá o Fox brasileiro. Quem usa o código nos carros é a VW do Brasil.

Nos VW importados vendidos aqui, a base da NHTSA identifica os prefixos mais comuns. A última linha não é de fabricante: é o prefixo que a Senatran dá a veículos regularizados, explicado no fim do texto.

Prefixo Fabricante segundo a NHTSA Exemplos nos recalls da VW do Brasil
9BW Volkswagen (registrado pela Volkswagen Group of America) Todos os VW nacionais
3VW Volkswagen de México (automóveis) Jetta
3VV Volkswagen de México (veículos multiuso) Tiguan Allspace
WVW Volkswagen AG, Alemanha (automóveis) Golf importado, Passat
WV1 Volkswagen (registrado pela Volkswagen Group of America), Alemanha, veículos comerciais Amarok
XXX Não é fabricante: número atribuído pela Senatran na regularização (Resolução 968, Anexo II) Nenhum

O prefixo diz quem registrou o código, não onde o carro foi montado. A Amarok é feita em General Pacheco, na Argentina, segundo a VW, e mesmo assim os chassis dela nos avisos de recall começam por WV1, prefixo que a NHTSA associa à Alemanha.

Três códigos ficam de fora por falta de documento. Não confirmamos o prefixo da Audi para os carros montados em São José dos Pinhais (o caso é discutido no artigo sobre o Audi A3 nacional), nem o da VW Caminhões e Ônibus. O prefixo 8AW aparece num SpaceFox listado pela VW, mas não achamos documento que diga a que empresa ele pertence.

Posições 4 a 8: a parte que a VW guarda

O meio do chassi é onde cada montadora descreve o carro do jeito que quiser. A Resolução 968 define essa seção como a que traz as características gerais do veículo e manda o fabricante entregar à Senatran (a Secretaria Nacional de Trânsito) "a decodificação completa do VIN" de todos os modelos. A Senatran repassa esses dados aos órgãos de trânsito, à polícia e à perícia, mas não ao público.

O que se vê de fora são padrões. Nos chassis antigos que a VW publica, as posições 4 a 6 são ZZZ; o Fusca de 1993 e o de 1996 têm o mesmo trecho, "ZZZ11". Nos recentes, há letras e algarismos, e as posições 7 e 8 se repetem por modelo nos avisos de recall: BF nos T-Cross, BZ nos Polo e Virtus, CH nos Nivus, 5U nas Saveiro. Nos documentos que a VW entrega à NHTSA para os carros americanos, a quarta posição tem o rótulo de série, a quinta de tipo de motor, a sexta de sistemas de retenção, e a sétima e a oitava de modelo. Não há documento público que diga se os VW nacionais seguem a mesma divisão.

Na prática, quem está de fora usa as posições 4 a 8 para comparar dois carros do mesmo modelo. Versão, motor e opcionais podem estar codificados ali, mas sem a tabela da VW o leitor não tem como lê-los.

Posição 9: a conta que pega erro de digitação

Nos Estados Unidos, a nona posição é obrigatoriamente um dígito verificador: um algarismo, ou a letra X, que resulta de uma conta feita com os outros 16 caracteres. Se alguém copia um caractere errado, a conta deixa de bater. A Resolução 968 não fala em dígito verificador, e a norma brasileira a que ela remete, a ABNT NBR 6066:2022, é paga; não a consultamos.

A VW do Brasil usa o dígito verificador nos carros recentes. Fizemos a conta nos 23 chassis completos de VW nacionais, de anos-modelo 2022 a 2025, que a marca publica nos avisos de recall, e todos bateram. Nos dois Fuscas do acervo, não: o de 1993 tem Z na nona posição, e o de 1996 tem 3 onde a conta daria 6. Por isso, a conta só serve de prova num 9BW sem ZZZ nas posições 4 a 6 e de ano-modelo 2022 em diante, o grupo que conferimos. Num 9BW com ZZZ, a nona posição não é dígito verificador; nos outros casos, o resultado da conta é só informativo.

Como fazer a conta:

  1. Troque cada letra pelo valor da tabela abaixo; os algarismos valem o próprio número.
  2. Multiplique cada valor pelo peso da posição: 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2 e 10 para as posições 1 a 8; 0 para a 9; 9, 8, 7, 6, 5, 4, 3 e 2 para as posições 10 a 17.
  3. Some tudo e divida por 11. O resto é o dígito verificador; se o resto for 10, o dígito é X.
Letras Valor
A, J 1
B, K, S 2
C, L, T 3
D, M, U 4
E, N, V 5
F, W 6
G, P, X 7
H, Y 8
R, Z 9

A regra americana proíbe as letras I, O e Q em qualquer posição. A Resolução 968 evita as mesmas letras nos códigos que ela própria cria para veículos regularizados: escreve "C0L", com zero, para coleção, e "1MP", com o algarismo um, para importado. Nos chassis da VW do Brasil que examinamos, nenhuma das três aparece. Se um chassi de 17 caracteres no documento tem um O, quase certamente é um zero. A exceção é o chassi começado por XXX, explicado no fim do texto: ele herda o começo do número antigo do carro, e ali um O ou um I pode ser letra mesmo.

Posição 10: o ano-modelo

A Resolução 24/1998 já reservava o décimo caractere para identificar o modelo; a 581/2016 deixou claro que ele pode ser letra ou algarismo; e a 968/2022 diz com todas as letras que ele corresponde obrigatoriamente ao ano-modelo. A mesma resolução limita a distância entre os dois anos: o ano-modelo só pode ser o anterior, o mesmo ou o seguinte ao ano de fabricação.

A tabela abaixo é a da regra americana (49 CFR 565). A da norma brasileira, paga, não foi consultada, mas os chassis da VW do Brasil conferem com a americana, como se vê logo depois. São 30 símbolos, sem I, O, Q, U, Z e sem o zero, e por isso a lista recomeça a cada 30 anos.

Código Ano Ano (ciclo seguinte)
A 1980 2010
B 1981 2011
C 1982 2012
D 1983 2013
E 1984 2014
F 1985 2015
G 1986 2016
H 1987 2017
J 1988 2018
K 1989 2019
L 1990 2020
M 1991 2021
N 1992 2022
P 1993 2023
R 1994 2024
S 1995 2025
T 1996 2026
V 1997 2027
W 1998 2028
X 1999 2029
Y 2000 2030
1 2001 2031
2 2002 2032
3 2003 2033
4 2004 2034
5 2005 2035
6 2006 2036
7 2007 2037
8 2008 2038
9 2009 2039

Os documentos da VW batem com a tabela. Na base da NHTSA, os Fox de 9BW com H na décima posição são modelo 1987, e os com P, 1993. O Fusca do acervo apresentado a Itamar Franco tem P (1993), e o conversível de 1996, transformado pela Sulam depois do fim da Série Ouro, T (1996). O comunicado da VW grafa o chassi desse Fusca de 1993 com 16 caracteres (9BWZZZ11ZPP00001), um a menos que o padrão; a 10ª e a 11ª posições não mudam se o que falta for um zero da sequência, como parece. Nos avisos de recall, o Tera 2026 aparece com T, o último Gol, de 2023, com P, e os Polo Sedan de 2007 e 2008 com 7 e 8.

Como desfazer a dúvida entre os dois ciclos:

  1. Procure o ano de fabricação gravado. A Resolução 968 exige os quatro algarismos do ano de fabricação junto ao chassi ou numa plaqueta destrutível. Nos VW atuais, segundo os manuais, a placa fica na coluna da porta dianteira direita. Para carros produzidos a partir de 1º de janeiro de 2025, a mesma resolução exige que o ano-modelo esteja a no máximo um ano do de fabricação; um T com fabricação 2025 é 2026, nunca 1996.
  2. Confira o documento. O CRLV traz o ano de fabricação e o ano-modelo.
  3. Use o bom senso do modelo. Um T-Cross não pode ser de 1980. Para um 9BW de 17 caracteres, a leitura 1980 (ou qualquer outra anterior a 1987) é improvável: o formato só ficou obrigatório aqui em 1999, e o 9BW mais antigo que encontramos documentado é de modelo 1987. Na dúvida, vale o ano de fabricação gravado no carro.

Um aviso para quem leu sobre o assunto em sites americanos: lá, a sétima posição desfaz a dúvida (algarismo para 1980 a 2009, letra a partir de 2010). Essa regra não vale para os VW nacionais. Nas Saveiro 2025 que a VW lista nos recalls, a sétima posição é um algarismo, e a regra americana as daria como 1995. A própria base da NHTSA cai nessa armadilha: testamos nela um chassi real de Saveiro 2023, e a resposta foi 1993.

Posição 11: a fábrica

11ª posição (em chassi 9BW) Fábrica Em que se apoia (dedução da VAGHAUS, não tabela oficial)
P Anchieta, São Bernardo do Campo (SP) NHTSA: P = Brasil nos Fox de 1987 a 1993, sem cidade; num 9BW fictício de 2016, a mesma base lê o P como Mosel, na Alemanha, leitura que não vale para os nacionais. VW: P nos avisos da Kombi, da Saveiro e do Nivus, todos de uma fábrica só, e nos Fuscas de 1993 e 1996 do acervo
T Taubaté (SP) VW: T nos avisos do up!, que só saiu de Taubaté; também nas faixas do Tera e do Gol posterior a 2017, em campanhas que reúnem outros modelos
4 São José dos Pinhais (PR) NHTSA: 4 = Curitiba, Brasil, em chassis WVW e em 9BW fictícios de Golf e GTI de 2002 a 2005; num T-Cross real que testamos, a base não indica fábrica. VW: 4 nos T-Cross, feitos só em São José dos Pinhais, em campanhas exclusivas do modelo
(nenhuma) São Carlos (SP) Fábrica de motores; não monta carros
não confirmado VW Caminhões e Ônibus Sem documento
não confirmado Audi, São José dos Pinhais Sem documento

A letra só tem sentido junto com o prefixo, e nem a base da NHTSA acerta sempre: no 9BW fictício de 2016, ela aplica a tabela da Volkswagen AG e transforma a Anchieta em Mosel. Nos importados vendidos aqui, a leitura é outra:

Prefixo 11ª posição Leitura
3VW ou 3VV M Puebla, México, segundo a tabela que a VW entrega à NHTSA
WVW qualquer Volkswagen AG, Alemanha; a fábrica fica fora do escopo deste guia, que trata dos VW nacionais
Qualquer outra combinação qualquer Código de fábrica não confirmado em documento

As Amarok e os Taos argentinos, por exemplo, trazem A nos avisos da VW, letra que não confirmamos em documento e que por isso cai na última linha.

Como chegamos às três letras. A VW do Brasil identifica os carros convocados nos avisos de recall pelos oito últimos caracteres do chassi, por exemplo "TT300291 a TT358902", ou pelo chassi inteiro. Tomamos os modelos que, segundo os comunicados da marca, saíram de uma fábrica só, e olhamos a 11ª posição. Partimos das campanhas que atingem um único modelo e dos chassis completos, em que as posições 7 e 8 já identificam o modelo. As campanhas que reúnem vários modelos servem só de indício: nelas, a página de um carro às vezes mostra a faixa de outro. Na de agosto de 2023, a página do T-Cross traz exatamente a faixa da página do Polo, com P; na de julho de 2026, a do Nivus inclui uma faixa com T, embora a VW diga que o Nivus só sai da Anchieta.

Modelo nos avisos de recall Fábrica, segundo a VW 11ª posição Tipo de prova
up! (2014 a 2018) Taubaté T Direta: campanhas só do up!
Kombi (2009 a 2011) Anchieta, São Bernardo do Campo P Direta: campanha só da Kombi
Saveiro (2025) Anchieta P Direta: chassis completos, campanha só da Saveiro
Nivus (2023) Anchieta P Direta: chassis completos
Nivus (2027) Anchieta P Direta: faixa VP000004 a VP017951, campanha só do Nivus
T-Cross (2020 a 2025) São José dos Pinhais 4 Direta: campanhas só do T-Cross
Fusca (1993 e 1996, acervo da VW) São Bernardo do Campo P Direta: chassis completos em comunicado da VW
Tera (2026) Taubaté T Só indício: campanhas que reúnem vários modelos
Gol (2018 a 2023) Taubaté (a Anchieta deixou de fazer o Gol em agosto de 2017) T Só indício: campanhas compartilhadas com outros modelos

O Gol é o indício mais forte. Até 2017 ele saía das duas fábricas paulistas, e os avisos de recall dessa época misturam faixas com P e com T no mesmo ano. Depois que a VW concentrou o Gol em Taubaté, só aparece T.

Um carro pode mudar de fábrica no meio da vida, e a letra acompanha a fábrica, não o modelo. Em julho de 2025, segundo a VW, o Polo Track saía da Anchieta e de Taubaté, e o Virtus, da Anchieta e de São José dos Pinhais. Dois carros do mesmo modelo e ano podem ter letras diferentes, e os dois estão certos.

Posições 12 a 17: a sequência

As seis posições finais são a numeração de produção. Não dizem versão, cor nem motor. Somadas ao ano e à fábrica, formam os oito caracteres do VIS, os mesmos das plaquetas e dos vidros, e é por esse trecho que a VW delimita os carros chamados num recall.

Um exemplo resolvido (chassi fictício)

O número abaixo foi inventado para este guia. Ele segue o formato e tem dígito verificador válido, mas a sequência 000000 não corresponde a nenhum carro.

9BWXX0XX1TT000000

Posição Caractere Leitura
1 a 3 9BW Volkswagen do Brasil
4 a 8 XX0XX Códigos internos da VW (fictícios aqui)
9 1 Dígito verificador: a soma ponderada dá 320; 320 dividido por 11 deixa resto 1. Confere
10 T Ano-modelo 1996 ou 2026
11 T Taubaté, pela nossa dedução
12 a 17 000000 Sequência de produção

Para fechar o ano, o dono olharia a plaqueta de ano de fabricação na coluna da porta dianteira direita. Se ela disser 2025, o carro é modelo 2026, porque 1996 estaria a 29 anos de distância, muito além do ano de tolerância que a lei permite.

Onde o número fica no carro

Nos VW atuais, os manuais do Tera e do Polo indicam os mesmos lugares:

  • Chassi completo, gravado na carroceria: no assoalho do lado direito, à frente do banco traseiro. A película plástica sobre a gravação é proteção contra corrosão e não deve ser retirada; ela não impede o decalque.
  • Plaquetas com os oito últimos caracteres (o VIS): uma no batente da porta dianteira direita e outra sob o capô, do lado do motorista, na coluna da suspensão. Os mesmos oito caracteres vêm gravados nos vidros: para-brisa, vidro traseiro e janelas laterais.
  • Ano de fabricação: numa placa na coluna da porta dianteira direita.
  • Certificado de segurança: na coluna da porta do motorista; pode trazer mês e ano de fabricação e o chassi.

A Resolução 968 manda gravar o chassi do lado direito da carroceria, pôr etiquetas destrutíveis no compartimento do motor e na coluna da porta dianteira direita, e marcar os oito últimos caracteres em pelo menos um para-brisa, um vidro traseiro e dois vidros de cada lado (quebra-ventos não contam). Num usado, vidro com outro número é sinal de vidro trocado, e vale perguntar por quê.

Antes dos 17 caracteres: Fusca, Kombi, Brasília e companhia

Os VW a ar e o Passat dos anos 1970 tinham outra numeração: um prefixo de dois caracteres e uma sequência. A tabela mais completa que encontramos está no Manual de Vistoria para Identificação de Veículos Automotores, de V. Quintela e O. Laitano (3ª edição, 1995), que não consultamos diretamente: lemos a página reproduzida em foto num estudo de Hugo Bueno publicado na coluna de Alexander Gromow, no Autoentusiastas, em dezembro de 2021. Ela cobre os modelos fabricados até 1982:

Modelo Onde está o número Como começa
Fusca 1200 e 1300 até 1969 Túnel, sob o banco traseiro B + último algarismo do ano
Fusca 1300 de 1970 Túnel, sob o banco traseiro B ou BP
Fusca 1300 de 1971 a 1974 Túnel, sob o banco traseiro BP
Fusca 1300 de 1974 a 1979 Túnel, sob o banco traseiro BJ
Fusca 1300 de 1980 a 1982 Túnel, sob o banco traseiro BO (o manual escreve "letras BO", mas a impressão não permite distinguir O de zero)
Fusca 1500 (1970 a 1975) Túnel, sob o banco traseiro BS
1600 quatro portas Túnel, sob o banco traseiro BB (em 1969, B9)
1600 Sedan S Túnel, sob o banco traseiro BD
1600 Sedan Túnel, sob o banco traseiro BS
1600 TL duas portas Túnel, sob o banco traseiro BF
1600 TL quatro portas Túnel, sob o banco traseiro BI (o manual escreve "letras BI", mas a impressão não permite distinguir I de um)
Brasília duas portas Túnel, sob o banco traseiro BA (BX a partir de 1982)
Brasília quatro portas Túnel, sob o banco traseiro BQ
Variant Túnel, sob o banco traseiro BV
Variant II Túnel, sob o banco traseiro BW
Karmann-Ghia 1200 Túnel, sob o banco traseiro B + último algarismo do ano
Karmann-Ghia 1500 e 1600 Túnel, sob o banco traseiro BG
Karmann-Ghia TC Túnel, sob o banco traseiro BM
SP1 e SP2 Túnel, sob o banco traseiro BL
Kombi 1200 Assoalho traseiro, lado direito, no compartimento do motor B + último algarismo do ano
Kombi 1500 e Clipper Mesmo lugar da Kombi 1200 BH
Passat duas portas Parede corta-fogo, no terço central, no compartimento do motor BT
Passat quatro portas Mesmo lugar do duas portas BU

Três cuidados com essa tabela. Primeiro, o prefixo diz modelo e, às vezes, a fase, mas não separa versões: o SP1 e o SP2 dividem o BL. Segundo, a sequência não é a contagem de carros. No período que estudou (1968 a 1976), a numeração começava em 101, observa Bueno, e por isso o último chassi de um modelo passa a produção real em umas cem unidades. Terceiro, a tabela vem de um manual de vistoria de 1995, não de um documento da VW; em caso de dúvida sobre um carro específico, a palavra final é da fábrica. A história de cada modelo está nos guias do Fusca, da Kombi e da Brasília.

Chassi que começa por XXX: a regularização da Senatran

Quando não é possível identificar, por nenhum meio, o número de um carro nos padrões da Resolução 968, a mesma resolução manda a Senatran atribuir a ele um chassi novo, de 17 caracteres, que começa por XXX. As posições 4 a 9 repetem os seis primeiros caracteres do número original (se ele tiver menos de seis, o resto é completado com zeros; se o carro não tiver número nenhum, a Senatran designa esses caracteres); a 10ª traz o ano-modelo, ou o ano de fabricação para carros feitos antes de 1999; a 11ª é sempre zero; as posições 12 a 14 dizem o motivo da regularização; e as três últimas são uma sequência da Senatran. Se o único problema do chassi for a 10ª posição, ele não ganha XXX: mantém o número e troca só esse caractere. E, para carros fabricados a partir de 1994, a resolução pede ao fabricante uma carta laudo que indique a nova composição.

Posições 12 a 14 Motivo, segundo o Anexo II da Resolução 968
MRE Veículo de uso diplomático
DET Veículo de órgão ou entidade executivo de trânsito
LE1 Veículo leiloado
D0A Veículo doado ou incorporado a órgão público
JUD Veículo objeto de decisão judicial
C0L Veículo de coleção
1MP Veículo importado
SEN Caso analisado pela própria Senatran

Uma Brasília fabricada em 1982, de chassi BX012345 (número fictício) que precisasse ser regularizada como carro de coleção receberia algo como XXXBX0123C0C0L seguido de três algarismos.

O que o chassi não conta, e onde perguntar

O chassi não deixa o leitor descobrir versão, motor nem opcionais. A seção descritiva pode guardar parte disso, mas a chave fica com a VW e com a Senatran; a cor não está no número. O manual dos VW atuais manda procurar os equipamentos do carro na documentação de venda, e o motor na etiqueta de dados do veículo e no documento. Há ainda uma etiqueta do fabricante na travessa dianteira do compartimento do motor.

Há três consultas oficiais sobre um carro específico:

  • Recall pela VW: o site de recalls da Volkswagen do Brasil aceita o chassi e mostra as campanhas do carro. O serviço das campanhas é gratuito.
  • Recall pela Senatran: a consulta do governo, pelo aplicativo Carteira Digital de Trânsito ou pelo Portal de Serviços da Senatran (com login na conta gov.br), aceita placa ou chassi, é gratuita e cobre campanhas divulgadas a partir de 17 de março de 2011.
  • Histórico de fábrica de um clássico: a VW do Brasil vende, pela loja Volkswagen Collection, um Certificado de Veículos Clássicos para modelos nacionais de 20 anos ou mais, lançado em novembro de 2023 e baseado nas fichas de produção que a marca digitalizou (cerca de 6,5 milhões de registros, segundo ela). É um serviço pago; a VW diz que a receita sustenta a Garagem VW. Não conferimos o preço atual.

Fontes

  1. vPIC: decodificação de um VIN 9BW fictício de GTI 2002 com 4 na 11ª posição (Curitiba, Brasil), consultada em 26/10/2026, NHTSA.
  2. vPIC: identificadores de fabricante (WMI) da Volkswagen, com país e tipo, consultado em 26/10/2026, NHTSA.
  3. Kombi (histórico do modelo e acervo da Garagem VW), Volkswagen do Brasil (VW News), .
  4. Resolução Contran nº 968, de 20 de junho de 2022 (critério de identificação de veículos; DOU de 24/06/2022), Ministério dos Transportes (gov.br), .
  5. Resolução Contran nº 24, de 21 de maio de 1998, com as alterações da Resolução 581/2016 (texto compilado; revogada a partir de 01/01/2025), LegisWeb, .
  6. Resolução Contran nº 581, de 23 de março de 2016 (altera a Resolução 24/1998), Ministério dos Transportes (gov.br), .
  7. 49 CFR Part 565, edição de 2000: tabela de códigos de ano (1980 a 2013), dígito verificador e caracteres permitidos, U.S. Government Publishing Office (govinfo), .
  8. 49 CFR § 565.15: conteúdo do VIN (texto em vigor, com a regra da 7ª posição), Legal Information Institute (Cornell), reprodução do e-CFR.
  9. vPIC: decodificação de um VIN fictício com 4 na 11ª posição (tabela de fábricas da VW: 4 = Curitiba, Brasil), consultada em 26/10/2026, NHTSA (vPIC).
  10. vPIC: decodificação de um VIN fictício de Fox 1990 com P na 11ª posição (fábrica no Brasil), consultada em 26/10/2026, NHTSA (vPIC).
  11. vPIC: decodificação de um VIN fictício 9BW de modelo 2016 com P na 11ª posição (a base responde Mosel, Alemanha), consultada em 26/10/2026, NHTSA (vPIC).
  12. vPIC: decodificador de VIN, usado em 26/10/2026 com chassis reais de VW nacionais publicados nos avisos de recall da VW (uma Saveiro 2023, lida pela base como 1993, e um T-Cross 2023, sem fábrica indicada), NHTSA (vPIC).
  13. vPIC: identificador de fabricante 3VW (Volkswagen de México), consultado em 26/10/2026, NHTSA (vPIC).
  14. Volkswagen VIN Breakdown, U.S. Passenger Cars, 2021 Model Year (revisão 5, 17/12/2020), Volkswagen Group of America, documento entregue à NHTSA (vPIC), .
  15. Recall Volkswagen: campanhas por modelo, com faixas de chassi (consultado em 26/10/2026), Volkswagen do Brasil.
  16. Manual de instruções Tera (26A.5B1.TER.66, fechamento em 28/03/2025): dados de identificação do veículo, Volkswagen do Brasil, .
  17. Manual de instruções Polo (26A.5B1.POL.66): dados de identificação do veículo, Volkswagen do Brasil.
  18. Dia Nacional do Fusca: conheça os modelos históricos da Garagem VW, Volkswagen do Brasil (VW News), .
  19. Com aceleração da produção do Novo Polo, a fábrica Anchieta voltará a operar em três turnos, Volkswagen do Brasil (VW News), .
  20. Fábrica da Volkswagen em Taubaté celebra 50 anos com carros icônicos, Volkswagen do Brasil (VW News), .
  21. up! (acervo Garagem VW), Volkswagen do Brasil (VW News), .
  22. VW celebra 65 anos da Anchieta e +14,7 milhões de carros produzidos, Volkswagen do Brasil (VW News), .
  23. Volkswagen completa 500 mil unidades produzidas do SUVW T-Cross, Volkswagen do Brasil (VW News), .
  24. VW aumenta desconto no Polo Track e segue com Feirão de Fábrica (lista de modelos por fábrica), Volkswagen do Brasil (VW News), .
  25. Volkswagen Saveiro alcança o marco de 400 mil unidades exportadas, Volkswagen do Brasil (VW News), .
  26. Volkswagen celebra a produção de 800.000 unidades da Amarok, Volkswagen do Brasil (VW News), .
  27. Começa hoje a pré-venda do VW Taos com benefícios exclusivos (Taos produzido em General Pacheco), Volkswagen do Brasil (VW News), .
  28. Laboratório de Segurança Veicular da Volkswagen do Brasil faz 50 anos (Jetta e Tiguan Allspace feitos no México), Volkswagen do Brasil (VW News), .
  29. Certificado de Veículos Clássicos Volkswagen chega ao Brasil, Volkswagen do Brasil (VW News), .
  30. Volkswagen Chronicle: 1992 to 2015 (retomada do Fusca em São Bernardo, 1993), Volkswagen Group, consultado em 26/10/2026.
  31. O que a Volkswagen do Brasil produziu entre 1968 e 1976? (tabela do Manual de Vistoria para Identificação de Veículos Automotores, de V. Quintela e O. Laitano, 3ª ed., 1995), Autoentusiastas (Hugo Bueno), .
  32. Realizar consulta sobre recall de veículos, Senatran (gov.br).

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